AMI - 30 anos a ajudar os outros

 

Onde há uma situação de emergência, uma catástrofe, um conflito armado, lá está a AMI para prestar assistência médica.

Mas não é só no contexto internacional. Em Portugal, também está junto dos sem-abrigo e dos mais necessitados – pessoas que encontram ajuda, dedicação e esperança na AMI.

 

TEXTO: MÁRIO COSTA

FOTOS: PAULO ALEXANDRINO / ALFREDO CUNHA

 

O «HOSPITAL» DE LUGADJOLE, em Ma- dina do Boé, na Guiné-Bissau, foi a pri- meira missão da AMI – Assistência Mé- dica Internacional. Estávamos em 1987, três anos após a fundação da AMI. Considerado o sexto país mais pobre do mundo, a Guiné-Bissau enfrentava, à época, graves problemas de saúde – paludismo, sarampo, doenças diarreicas –, agravados pela falta de recursos humanos e de material para dar assistência às populações mais atingidas. À frente dessa missão estava Fernando Nobre, médico e fundador da AMI.page1image3721184

«Foi a nossa primeira missão. A AMI nasceu há 33 anos, estava eu a residir em Bruxelas, onde era assistente da fa- culdade e onde era médico especialista em cirurgia geral e urologia. Como tinha contratos com a faculdade e com o hospital, fiquei mais um ano a cumprir esses contratos. Cheguei a Portugal em finais de 1985, um país que era o meu, mas onde eu não conhecia ninguém além de uma irmã que estava cá havia dois anos, vinda de Londres. Nasci em Angola, então província ultramarina portuguesa. De finais de 1985 até setembro de 1987, estive ocupado com a minha vida pessoal, a instalar-me, daí que o partir da pedra para a constituição da AMI demorasse, e só em setembro de 1987 fizéssemos a primeira missão», explicou Fernando Nobre à revista Selecções do Reader’s Digest. 

A AMI não mais haveria de sair da Guiné-Bissau, e voltaria a ter um papel determinante na assistência médica em 1998-1999, em consequência do conflito armado que originou 350 mil deslocados. Nesses dois anos, a AMI pres- tou assistência médica e medicamentosa nos postos de saúde de Pitche, Pirada, Canquelifá, Canjufa, Tchetche e nos hospitais de Gabu e Sonaco. Desde o ano 2000 que também presta assistência à população da ilha de Bolama.

Depois da missão na Guiné-Bissau, e vencidas as primeiras dificuldades de financiamento e de afirmação como instituição, a AMI já desenvolveu centenas de missões no estrangeiro, e alargou a sua área de intervenção. «Desde então, já desenvolvemos projetos em 82 países, de todos os continentes, em todas as línguas e religiões. É um percurso que passa não só pela vertente internacional, pelas grandes operações de emergência como no Darfur, mas também pela vertente de desenvolvimento e apoio a ONG locais, como foi o caso da Papua, e ainda pelas operações em Portugal – em 1994 iniciámos o trabalho com os centros Porta Amiga, os abrigos para os sem-abrigo e as equipas de rua. Em 2004 criámos o nosso departamento ambiental, que tem desenvolvido vários projetos e que está agora a lançar uma iniciativa muito interessante no âmbito do projeto Ecoética, que visa a reflorestação das áreas atingidas pelos fogos com recurso a espécies autóctones», revela Fernando Nobre.

Trinta e três anos depois da sua fundação, e trinta anos depois da primeira missão, a AMI é uma estrutura assente em três áreas de atuação: saúde, apoio social e ambiente. Dispõe de cinco delegações em todo o país, 22 núcleos de voluntários e 200 funcionários. Isto sem contar com os elementos contratados para as missões temporárias – uma intervenção na sociedade que tem cres- cido e se desenvolve de ano para ano, apesar da crise económica que também atingiu os donativos que eram encaminhados para a AMI.

«Sem dúvida que sentimos a redução de ajudas, porque a crise bateu forte na classe média e média-baixa, que é a classe em geral mais sensível e que mais contribui, embora com pequenas quantias. Houve uma redução nos donativos na casa dos 20 por cento. Começamos agora a notar um aumento nos donativos, mas não voltaram ao nível em que estavam em 2010», garante Fernando Nobre. 

E como é que uma estrutra que é tão solicitada por pedidos de apio e ajuda consegue manter a sua atividade com menos capacidade de financiamento? O segredo está, segundo Fernando Nobre...

* LEIA O ARTIGO INTEGRAL NA REVISTA SELECÇÕES AQUI