Biodiversidade em Campo Maior

 

Um turismo rural onde pode encontrar pomares, uma horta biológica, um centro de intepretação do mel, ervas aromáticas e muitos animais.

TEXTO: MÁRIO COSTA

FOTOS: PAULO ALEXANDRINO

 

TRANQUILIDADE. E uma paisagem a perder de vista, dominada pelo montado de azinho. É o primeiro impacto que se tem quando se chega à Herdade dos Adães Novos, em Campo Maior. Os únicos barulhos vêm dos chocalhos dos animais – várias raças de bovinos autóctones e gado caprino – e do restolhar dos passos de quem percorre as várias áreas da herdade, um projeto inovador que une turismo rural e biodiversidade numa harmonia única.

PROPRIEDADE DA FAMÍLIA NABEIRO, dos Cafés Delta, a Herdade dos Adães Novos começou por ser o local onde se faziam eventos da empresa e onde o Grupo Nabeiro começou a produzir ervas aromáticas para o mercado: ale­crim, alfazema, lúcia-lima, hortelãs, tomilhos ou mesmo orégãos. As ervas ainda são produzidas mas já não são a principal cultura ou atividade do es­paço: «Ainda continuamos a produzir as ervas aromáticas num espaço com 8 hectares, a céu aberto, e temos uma estufa onde se faz toda a preparação e seleção das sementes e estacas an­tes de serem lançadas à terra. Neste momento produzimos também capu­chinhas, uma flor comestível usada de diversas formas na culinária», explica às Selecções do Reader’s Digest João Vi­nagre, do departamento de Marketing e Comunicação do Grupo Nabeiro.

Quem chega a Adães Novos fica impressionado com a organização e harmonia do espaço, que oferece ao visitante uma série de experiências di­ferentes. Ao todo, são 400 hectares de terreno, dos quais 20 são destinados ao turismo, 8 para as ervas aromáticas e o restante para montado de azinho e pastagem do gado.

Mal se passa o portão de acesso da herdade, somos brindados com a presença de exemplares de vacas de raça alentejana: «Os animais pasto­reiam livremente pela nossa herdade. O gado é aqui criado e depois é ven­dido», explica Ana Margarida Gama, a nossa guia na visita à Herdade dos Adães Novos.

No velho conjunto de casas que em tempos foi um monte alentejano, está agora instalado um fantástico turismo rural com quartos onde impera o es­paço e o bom gosto da decoração, que mistura o tradicional com as ameni­dades dos tempos modernos: «No local que outrora foram as casas dos empregados do monte temos quartos espaçosos e confortáveis, com todas as comodidades e que albergam até quatro pessoas cada um. Temos tam­bém o espaço da receção e o restau­rante, que funciona não só para quem cá está instalado, como também para quem quer apenas degustar uma boa refeição, com sabores locais, num lo­cal calmo e tranquilo», explica João Vinagre.

E porque a excelência faz parte do ADN do projeto, a cozinha do restau­rante da herdade está entregue a Ilda Vinagre, uma chef detentora de duas estrelas Michelin e com um percurso de sucesso. A chef regressa ao Alentejo onde já esteve ao serviço no restaurante A Bolota, na Terrugem e na Herdade do Esporão, em Reguen­gos de Monsaraz.

 

O imenso terreiro interior do ve­lho monte é dominado ainda pelo edifício onde antes funcionava uma pocilga e agora está instalado o Cen­tro de Interpretação da Natureza, do Mel e da Biodiversidade. Um espaço onde o visitante pode aprender tudo sobre a produção do mel. O visitante é convidado a fazer uma visita como se estivesse dentro de uma colmeia: «Aqui pretendemos dar especial im­portância à abelha do mel, bem como ao seu papel fundamental no ecossis­tema, nomeadamente a polinização. Mostramos ainda todo o processo de produção do mel, como é que são feitas as colmeias, como é que as abelhas se organizam e comunicam dentro das colmeias, como fazem os favos e o mel, que castas de abelhas existem, o tempo de produção do mel, como é que antigamente eram feitas as colmeias e os utensílios que os apicultores usavam e ainda as prin­cipais ameaças à sua sobrevivência.

E podem até provar o mel que produ­zimos aqui na herdade ou participar na recolha do mel das colmeias e le­vá-lo para a nossa melaria primária», explica Ana Margarida Gama.

A par da explicação sobre todo o processo de produção do mel, o cen­tro dispõe ainda de um espaço de exposição sobre a flora e a fauna da região e um espaço de interação para os mais novos: «Recebemos muitas visitas de estudo das escolas, e neste espaço temos várias atividades para os alunos realizarem sobre o tema do  recheado mel e os produtos que se fazem com este, como a geleia real e a própolis, bem como várias experiências que permitem dar a conhecer a biodiver­sidade desta região», afirma Ana Mar­garida Gama. Para ajudar no processo de educação ambiental, foram criadas três mascotes que interagem com os visitantes: a formiga MIG, a libélula LULA e a abelha API.

O projeto inclui ainda uma quinta pedagógica onde...

 

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