EVOA – Observar aves no estuário do Tejo

 

Às portas de Lisboa na lezíria ribatejana.

Inserido numa das mais importantes zonas húmidas de Portugal, o Espaço de Visitação e Observação de Aves alia o turismo de natureza à conservação da avifauna, promovendo o património natural de forma sustentável.

 

NASCIDO EM ABRIL de 2013, o EVOA – Espaço de Visitação e Observação de Aves está instalado numa das mais importantes zonas húmidas de Portugal, o estuário do Tejo, e permite a quem o visita ficar a conhecer um património único. O espaço, propriedade da Companhia das Lezírias, é composto por três lagoas de água doce, num total de 70 hectares, que são usadas por milhares de aves como área de refúgio ou local de nidificação. O espaço inclui ainda seis observatórios nas margens das lagoas, diversos pontos de observação camuflados e um Centro de Interpretação. Os visitantes podem ainda participar em diversas atividades complementares à observação de aves.
A Companhia das Lezírias é, atualmente, a empresa gestora do EVOA, mas o projeto nasceu de uma parceria entre seis entidades.
A génese do EVOA dá-se em 2001, com a proposta efetuada pela associação Aquaves à Companhia das Lezírias, proprietária dos terrenos onde iria nascer o projeto, para a implementação de estruturas de Interpretação da Natureza na Ponta da Erva. Ciente da falta de espaços adequados para o efeito, o, à data, Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB) considerou relevante para a valorização e conhecimento desta área protegida, da sua avifauna e valores naturais, o desenvolvimento de condições para a sua visitação e sensibilização ambiental. Em fevereiro de 2007, o protocolo, estabelecido para este fim, entre a Companhia das Lezírias, o ICNB, a Câmara Municipal de Vila Franca de Xira (CMVFX), a Aquaves, a Associação dos Beneficiários da Lezíria Grande de Vila Franca de Xira (ABLGVFX) e a Liga para a Protecção da Natureza (LPN), foi a formalização de um novo fôlego deste projeto.

Em 2008, a Brisa – Autoestradas de Portugal torna-se patrocinador-fundador, ao abrigo da iniciativa «Business and Biodiversity», prestando um apoio financeiro superior a 50% do valor total do projeto, possibilitando, desta forma, a submissão de uma candidatura a fundos comunitários, no caso o PORLisboa/QREN. Foi com a aprovação do financiamento, em 2009, que o projeto passou da ideia à concretização, iniciando-se a modelação do terreno para a criação das lagoas e a construção do Centro de Interpretação.


Aves migratórias
Mas desengane-se quem pensa que o espaço é apenas dedicado à observação de aves ou à avifauna. O EVOA oferece muito mais do que isso. As «estrelas» são, sem dúvida, as aves. Mas, estando o EVOA inserido na Reserva Natural do Estuário do Tejo, que é, ainda, classificado como Sítio Ramsar (zonas húmidas), Zona de Proteção Especial (ZPE) e Sítio de Importância Comunitária (SIC), sendo detentor de uma grande riqueza em termos de biodiversidade, por vezes os visitantes são presenteados com a presença de algumas espécies de mamíferos, como a raposa, o javali, a lebre ou, até, a esquiva lontra. Para os mais atentos, é possível encontrar uma gigantesca diversidade de insetos, tendo sido, até à data, identificadas mais de 600 espécies diferentes.

Os amantes das aves têm no EVOA um espaço de excelência para as observar no seu habitat natural. Algumas das espécies são residentes, ou seja, passam todo o ano no estuário do Tejo, mas a maioria das espécies que podemos observar no EVOA são espécies migradoras. O estuário do Tejo está integrado na importante rota migratória do Atlântico-Leste, sendo um local estratégico de paragem e reabastecimento para as aves. Após a nidificação no norte da Europa, as aves iniciam a sua longa viagem rumo a sul, passando o inverno desde o sul da Europa até ao sul de África.

O estuário do Tejo é, assim, uma paragem para reabastecimento e descanso de extrema importância para estas aves migradoras, e algumas acabam por permanecer todo o período de invernada, enquanto outras continuam as suas viagens rumo a África, sendo muitas vezes esta a última paragem antes de atravessarem o oceano e passarem para o continente africano. No final da invernada, as aves iniciam as suas viagens rumo
a norte, em direção às áreas de nidificação, passando novamente pelo estuário do Tejo, sendo desta vez dos primeiros locais de paragem, após a mudança de continente. Algumas espécies aproveitam para reabastecer antes de continuarem para norte, ao passo que outras ficam por cá a nidificar, como é o caso da garça-vermelha, do rouxinol-grande-dos-caniços, da perdiz-do-mar e da chilreta.


O espaço
O EVOA ocupa uma área total de aproximadamente 80 hectares, nos quais se pode encontrar um Centro de Interpretação, onde os visitantes são...

 

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