O NATAL MAIS SALGADO DE PORTUGAL!

 

Até ao dia 9 de janeiro, em Rio Maior os presépios esculpidos em sal voltam a receber milhares de visitantes. 

 

 

MÁRIO COSTA

 

As salinas transformam-se numa Aldeia Natal e a magia volta a sair à rua. Não falta a animação, gastronomia, música e artesanato.

As casas rústicas de madeira e os talhões geometricamente demarcados caracterizam a paisagem da aldeia das Marinhas do Sal, em Rio Maior. Mas por estes dias, e até ao Dia de Reis, as ruas são inundadas pela magia do Natal e a animação típica desta época. 

A neve, que por aqui não cai, é substituída pelo sal, e durante os fins de semana os visitantes podem deliciar-se com os belíssimos presépios feitos de sal, muito artesanato, gastronomia, música, animação de rua, passeios de comboio e até a presença do Pai Natal. A iniciativa Presépios de Natal nasceu em 2012, por decisão do município de Rio Maior, em parceria com a junta de freguesia local, a AECRM – Associação Empresarial do Concelho de Rio Maior, 365 Alentejo e Ribatejo, Turismo de Portugal – Alentejo e Entidade Regional de Turismo Alentejo e Ribatejo, e tem atraído, de ano para ano, cada vez mais visitantes. «O número de visitantes é variável. Registamos apenas os visitantes que se dirigem ao Posto de Turismo e os grupos que solicitam visita orientada. Com base nesses registos, podemos estimar uma média de 20 mil visitantes por ano», revela Miguel Santos, vereador do turismo da Câmara Municipal de Rio Maior. Mas os números podem ser mais altos, tendo em conta que nem todos os que ali chegam contactam com o Posto de Turismo. E se a maioria dos visitantes são portugueses, ao longo destes nove anos os Presépios de Rio Maior também têm seduzido muitos estrangeiros: «Os visitantes são maioritariamente portugueses mas, fruto da forte promoção desenvolvida pelo município, também temos recebido cada vez mais espanhóis, franceses, alemães e britânicos, entre outras nacionalidades», destaca Miguel Santos. 

Aliás, a iniciativa Presépios de Natal acaba por ter efeitos positivos no turismo de Rio Maior ao longo de todo o ano, pois muitos forasteiros procuram estas paragens noutras épocas. «Este evento tem contribuído significativamente para a promoção turística das salinas e do município na época baixa, alavancando a economia local, promovendo os produtos endógenos, os alojamentos locais, a gastronomia e todo o património cultural e natural do concelho. Prova de que, com o envolvimento de todos e alguma criatividade, é possível valorizar as únicas salinas naturais de interior de Portugal quando a produção de sal está parada», realça o vereador. 

QUEM SE DIRIGE às Marinhas do Sal de Rio Maior por estes dias, pode encontrar os famosos presépios de sal um pouco por toda a aldeia. O certame não está confinado apenas a um local, com todos os exemplares, mas antes repartido por vários estabelecimentos, levando o visitante a percorrer toda a aldeia. «Os presépios encontram-se expostos nos vários estabelecimentos das próprias salinas, desde lojas de artesanato a restaurantes e à cooperativa dos produtores de sal. Ao todo, cerca de uma centena de pessoas estão diretamente envolvidas», conta Miguel Santos às Selecções do Reader’s Digest.

Além de Rio Maior, apenas um outro local tem presépios de sal por esta altura do ano: o município de Castro Marim. No entanto, a diferença reside no sal que é usado. Se a sul, em Castro Marim, se recorre ao sal marítimo, em Rio Maior este vem da serra de Aire e Candeeiros. Dada a sua natureza calcária a rocha tem muitas falhas, o que leva a que as águas da chuva se infiltrem e formem lençóis de água subterrâneos. Um desses cursos atravessa uma grande jazida de sal-gema que alimenta o poço das salinas em Rio Maior. E esta água é sete vezes mais salgada do que a água do mar. 

TODOS OS ANOS são realizados cerca de trinta presépios e, como não há um tema obrigatório ou central, os artesãos podem dar asas à imaginação. «Os presépios de sal estão intimamente ligados à produção e aos produtores de sal. Além destes, de um modo geral toda a comunidade local se envolve, produzindo e expondo os seus próprios presépios. E a produção dos presépios é fruto da criatividade de cada um e também reflete as vivências e aspetos das salinas como, por exemplo, as típicas casinhas de madeira», refere Miguel Santos. 

No entanto, a Aldeia Natal tem mais para ver e vivenciar além dos presépios de sal. Durante todo o mês das festividades, os visitantes têm muito com que se entreter: «Além dos presépios, que dão o mote ao evento, da música e da animação de rua, os visitantes podem saborear a nossa gastronomia e os vinhos, conhecer o artesanato e os produtos locais. Podem ainda visitar a cidade e usufruir de todas as atividades integradas no Natal da Cidade.» 

 

 

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SAL A 30 QUILÓMETROS DO MAR! 

A extração de sal é um trabalho sazonal, embora as salinas estejam a operar durante todo ao ano. Localizadas a cerca de 30 quilómetros do mar, o sal que aparece nas Marinhas de Sal de Rio Maior é fruto de um fenómeno que ocorre muitos quilómetros antes, na serra de Aire e Candeeiros: dada a sua natureza calcária a rocha tem muitas falhas, o que leva à infiltração das águas da chuva que formam cursos de água subterrâneos. Um desses cursos freáticos atravessa uma grande jazida de sal-gema que alimenta o poço das salinas. A água é retirada deste poço e distribuída pelos diversos talhões para se dar a evaporação, aproveitando o sal que fica nos talhões. Ao todo, a produção anual deste sal puro ronda as 2000 toneladas. Já agora, e por curiosidade, um litro de água equivale a 220 gramas de sal. Deste modo, as Salinas de Rio Maior são as únicas salinas de interior em Portugal. O sal daí retirado pode ser ou não moído (depende do seu destino), mas não leva qualquer tratamento químico.