O Pé descalço e outras tendências loucas

 

Diana Thomas

 

 Omundo moderno É um lugar confuso. Alguns tentam que faça sentido através da polí­tica, outros da religião. Ou­tros, ainda, alinham em movimentos sociais pouco ortodoxos, que parecem estranhos e excêntricos. Só que as ati­tudes estão em constante mudança e as ideias e campanhas que hoje parecem «fora da caixa» podem virar moda em alguns anos.

ANDAR DESCALÇO

Alessio Angeleri, um antigo enge­nheiro italiano de 39 anos, que agora gere um blogue de saúde, caminha pelas ruas da sua cidade, na região do Piemonte... sem sapatos. Casado, com um filho de 15 anos, é uma das mais de 100 mil pessoas em todo o mundo que pertencem à Sociedade para a Vida de Pé Descalço. Com o slogan «Liberte os Seus Pés e a Sua Mente Irá a Seguir», esta sociedade encoraja as pessoas a andarem descalças porque é saudável e mais confortável, «uma vez que nos conseguimos deliciar com as texturas que o mundo tem para oferecer».

Alessio aderiu a uma vida sem sa­patos aos 20 anos. «No início, andava descalço apenas no campo, com medo de encontrar alguém. Passado um tempo, a minha autocon­fiança aumentou e num par de meses já andava de pé des­calço em todo o lado», conta.

«Os pés são uma das par­tes mais sensíveis do corpo, o que faz com que seja uma experiência tátil realmente agradável», explica. «Uma pessoa lembra-se dos lugares por onde andou por causa dessas sensações: passeios, relvados, soalhos, cimento, mármore... cada material corresponde a uma expe­riência sensorial, guardada em perma­nência no cérebro em ultra-HD. Assim que nos habituamos a essa perceção enriquecida do mundo, não queremos outra coisa.»

A milhares de quilómetros dali, em Tomsk, na Sibéria, vive outro ativista confirmado do pé descalço. Victor Su­dakov, de 49 anos, administrador de sistemas, é membro da Sociedade para a Vida de Pé Descalço há mais de vinte anos, apesar de no pino do inverno si­beriano calçar um par de botas quentes. Mas quando a neve desaparece, as bo­tas também desaparecem.

«Aqui em Tomsk, a estação para an­dar descalço vai de meados de maio a meados de setembro», refere Victor. «Durante esse tempo ando descalço – a não ser para o trabalho, onde temos um código de vestuário. Assim, estou descalço quando vou às compras, a conduzir, a comer fora, a visitar amigos ou a viajar para outras cidades.»

Algumas pessoas ficam tão impres­sionadas com esta tendência que pas­sam também a andar descalças, explica Meghan Lindquist, discípula do pé descalço. A professora, de 33 anos, do estado norte-americano do Wiscon­sin, no centro-oeste do país, revela: «A minha conversão mais memorável é a do meu marido. Começámos a sair juntos depois de a curiosidade dele ter levado a melhor e me ter perguntado porque estava quase sempre descalça. Assim que começámos a namorar mais a sério, ele começou a andar des­calço comigo quando saíamos e ambos estávamos descalços quando nos casámos.»

O APITO FINAL DA RAÇA HUMANA
Um dia, os historiadores vão contar como, na primavera de 2020, os humanos ficaram confinados em casa e os animais puderam andar à vontade: cisnes a deslizarem nos canais de Veneza; javalis selvagens nas ruas do centro de Barcelona; os golfinhos a brincarem nas docas de Cagliari, a capital da Sardenha.
Para Les U. Knight, um professor de 72 anos de Portland, no estado do Oregon, nos EUA, estas cenas eram uma confirmação da sua mais profunda crença. Como ...

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