A incerteza do futuro

 

Por Dina Isabel

Locutora e Diretora da Rádio Sim

COMO MUITA GENTE da minha geração, tenho filhos em idade de entrar no mercado de trabalho. Tenho filhos a atravessar um período estranho para quem quer, justamente, começar a sua vida independente dos pais. A verdade é que esta nossa era tem tanto de assustador como de desafiante.

Os tempos mudaram – aliás, tudo muda muito depressa. Estima-se que milhões de postos de trabalho acabem até ao final desta década, e que mais de metade das crianças que entram agora na escola primária venham a ter profissões que ainda não foram inventadas.

Perante este cenário, a escolha de um curso, de uma carreira, tem uma longevidade bastante mais relativa do que nas gerações anteriores. Não há empregos para a vida, nem com segurança e estabilidade capazes de dar confiança para se seguir sozinho.

Associados a esta precariedade estão os baixos salários que hoje se praticam, em grande parte nos primeiros empregos, e o preço cada vez mais exorbitante do arrendamento.

Portanto: ganha-se pouco, não há estabilidade, e o preço das casas é alto. Perante esta equação, quantos dos nossos jovens poderão pensar em ter a sua casa e iniciar a sua família fora da casa dos pais?

E não vale a pena chorar sobre o leite derramado: há uma mudança de paradigma e o mundo tem de se ajustar. O ensino tem de acompanhar esta velocidade com novas metodologias e um ajustamento da oferta curricular. É verdade que é difícil, mas este é também um tempo extraordinário, cheio de mudanças, desafios, novidades.

Ser jovem hoje é como andar numa montanha-russa: entre a incerteza de estar lá em cima, com medo da queda, e o frio na barriga do entusiasmo que a sensação da descida proporciona.