BAIA D'ABRA

 

O percurso a pé ao longo da vereda que contorna a Baía d'Abra naMadeira

Partida: Parque de estacionamento no fim da estrada.

Chegada: Parque de estacionamento no fim da estrada.

Equipamento aconselhável: Botas para caminhada, bordão, cantil e mochila com mantimentos.

Época do ano: todos os meses.

Ao contrário do que possa parecer à primeira vista, especialmente para quem visita a Ponta de S. Lourenço no Verão, este apêndice oriental da Madeira não é um deserto biológico.

O percurso a pé ao longo da vereda que contorna a Baía d'Abra permite observar de perto uma grande variedade de plantas, algumas exclusivas da Madeira. São os cardos (Cynara cardunculus var. ferocissima) de vistosas inflorescências no Verão, as perpétuas-de-são-Iourenço (Helichrysum devium) com folhas prateadas e brácteas brancas, os goivos-da-rocha (Mathiola maderensis) com suas flores cor-de-rosa, os saramagos (Sinapis arvensis) que se enchem de flores amarelo-pálidas durante toda a Primavera, a pequena doiradinha (Senecio incrassatus) de capítulos florais amarelos, a trevina (Lotus glaucus) de delicadas flores alaranjadas, os massarocos (Echium nervosum) cobertos de belas flores azuis antes da Primavera.

A vereda está bem marcada e não oferece qualquer perigo até surgir uma bifurcação. O ramo à esquerda não tem saída, mas permite ver o mar norte, normalmente mais agitado, e as arribas mais altas e mais a pique que as a sul.
Mais adiante, a vereda desaparece, sendo necessário caminhar com atenção entre os blocos rochosos até voltar a encontrar o trilho.

 

Pouco antes de atingir a plataforma, onde existe o pequeno oásis de palmeiras e tamargueiras, a vereda corre sobre um cabeça, conhecido por Estreitinho. É o troço mais difícil, mas o mais espectacular do passeio. Uma barreira rochosa com menos de 100m de espessura resiste estoicamente às investidas das ondas a norte, impelidas pelo alísio. Bem perto, o mar do sul de tão calmo nem parece pertencer ao mesmo oceano. Ultrapassado o Estreitinho, a vereda entra na área quase plana onde está localizada a casa do Sardinha.

A antiga casa de praia de um tal Sardinha, que vivia no Funchal, é  hoje casa de abrigo dos guardas do Parque Natural da Madeira.

Depois de lanchar à sombra das palmeiras, suba até ao topo do picaroto a leste da casa. Dali terá oportunidade de apreciar o ilhéu da Cevada, classificado como Reserva Integral graças às raridades botânicas que possui, e o ilhéu do Farol, na extremidade oriental da ilha.

O regresso ao ponto de partida terá obrigatoriamente de ser feito na mesma vereda, mas antes de iniciar o retorno não deixe de dar um mergulho e nadar. O mar normalmente é muito calmo e a temperatura da água propicia agradáveis banhos, mesmo no Inverno.