BAÍAS E GRUTAS NAS FLORES

 

Partida do porto de Santa Cruz, navegando para sul depois de atravessar a baía da Ribeira da Cruz, a mais ampla da ilha.

Quase no seu termo, faça uma visita à gruta de Fernão Jorge: não é muito grande, mas o conjunto de rochas que a rodeiam é de belo efeito. Mais adiante, a gruta dos Incharéus, a maior, que poderia abrigar um navio bacalhoeiro, como já aconteceu com um navio que vinha acossado por corsários.

 

A ponta da Caveira é um penhasco cuja forma e textura merecem uma atenta olhadela. Depois de dobrar esta ponta, um braço de basalto que se estendeu para o mar, entra na baixa da Ribeira da Silva, que na ponta sul exibe curiosas formações rochosas policromas.

Regresse um pouco ao largo para se aperceber dos efeitos da perspectiva. Entre na ampla baía de S. Pedro. Junto da costa, poderá admirar um dos vários monumentos geológicos desta, porventura o mais relevante pela sua origem e características.
 
Trata-se da rocha do Pau, cuja origem presume-se tratar-se de um caso de disjunção prismática um gigantesco triângulo formado por prismas basálticos. No Mundo, só é conhecido um exemplar semelhante na ilha de Diego Suarez, no oceano Índico, ao qual os livros e álbuns de viagens dão grande publicidade. Esta "irmã-prima" da rocha dos Bordões poderá fascinar o olho dos visitantes.
 

Defronte, fica a Baixa Vermelha, uma composição de lava negra e tufo vulcânico, muito rico em sais de ferro. Um pouco adiante, está a foz da ribeira da Fazenda, que corre por debaixo de um imenso penhasco que parece ter sido restos de chaminé de um vulcão. Defronte, está a Baixa do Moinho, que é grande, um ilhéu de basalto calcinado recoberto de pequenas grutas onde nidificam várias espécies de aves marinhas. O mesmo se passa com o Verde - um ilhéu estreito e alto formado por basalto e tufo que tem vegetação, de onde lhe advém o nome.

Depois de se dobrar a rocha dos Cãibros, entra-se na baía da Alagoa. Uma profusão de ilhéus, maiores ou menores, entre os quais se destaca a Fragata, Garajau, ilhéu dos Carneiros, Álvaro Rodrigues; este último foi cultivado até meados do presente século. As rochas verdejantes, com listas e manchas rnulticores, são elementos que dão cor e relevo à paisagem.

A bombordo, fica o ilhéu Furado, na baía de Ponta Ruiva - um trecho de rocha que desce em pequenos socalcos onde brotam inhames com flores selvagens. Duas azenhas estão imóveis há algumas décadas. Esta "epidemia" atacou também as suas irmãs da ilha, que vão morrer de inactividade.

Dobrada a baixa da ponta Ruiva, entra-se na baia das Barrosas, com ilhéus espalhados. Salienta-se o Pão de Açúcar um torpedo que brotou do fundo do mar. O seu corpo está pejado de cicatrizes, marcas das lutas tirânicas com a fúria do mar e do vento; a furna do Galo, que parece ter sido talhada para catedral dos míticos deuses da água; mais adiante, fica a gruta das Barrosas, escavada numa enorme muralha de basalto, e, ao fundo ficam os baixios de Ponta Delgada, que guarda este porto de pescadores baleeiros que foram em idos. O ilhéu de João Martins, na baía do Vento, permanece solitário nesta costa agreste batida por fortes nortadas.