COMEÇAR DE NOVO

 

Por Dina Isabel

Locutora e Diretora da Rádio Sim

 

Cá está mais um ano e, como manda a tradição, as promessas de mudança, de novos projetos: vou perder peso, vou ser mais organizada, vou chegar a casa mais cedo, vou ter mais tempo para apoiar nos trabalhos de casa e no estudo para os testes. São promessas em que acredito com convicção, mas que, provavelmente, não vou conseguir cumprir na totalidade. Se me importo com isso? Sinceramente, não muito. Acredito, sim, que farei sempre o melhor que puder em cada contexto.

No entanto, não abdico de ter metas, objetivos a alcançar, coisas a melhorar. Os projetos fazem parte da vida, e pretendo mantê-los até ao fim, mesmo que chegue aos cem anos. Causam-me algum transtorno as pessoas que passam pela vida sem se deitarem a ela com toda a garra.

Ter projetos não é uma questão de idade, mas de postura. Conheço pessoas mais velhas com tantas coisas ainda por fazer e alguns jovens que já pouco esperam do futuro.

Há dias chegou mais um grupo de estagiários à rádio onde trabalho, para completarem a sua formação académica. Olhei para eles e imaginei o que estariam a pensar naquele momento, em que o futuro profissional começa a ganhar forma, cheios de sonhos e projetos.

Penso muitas vezes, cada vez mais, naquilo que ainda tenho pela frente. Não gosto da expressão «o resto dos meus dias». Soa-me a conformismo, a pouca coisa, a declínio. Nenhum de nós sabe quanto tempo tem, e ainda bem. Sabemos, no entanto, que a vida é uma linha que vai ficando mais curta pela ordem natural das coisas. Por essa, razão tem de ser vivida ainda com mais entusiasmo. Já decidi há algum tempo que ninguém me vai retirar o direito que tenho a ter sonhos e projetos, independentemente da minha idade.

Uma vez ouvi o Manuel Luís Goucha dizer que seria um «velho gaiteiro», e pensei: Também quero! Se Deus me der saúde, pretendo beber desta fonte até à última gota, com a mesma energia.