Deixar a Luz Entrar

 

Ele aquece os dias de festa das famílias demasiado enlutadas para conseguirem festejar.

 

Juliana Labianca

DEPOIS DE STEWART e Debbie Wilder perderem o filho de 17 anos, Cameron, por suicídio em 2013, a úl tima coisa em que pensavam era em fazer as decorações para a quadra natalícia. «Não pusemos nada em três anos. Tem estado tudo dentro das caixas», disse Debbie à KTVB em novembro de 2016. «Todos os amigos de Cameron vêm a casa no dia de Açãode Graças, visitar as famílias, e nós não o temos.»

Mas, em dezembro de 2016, a casa estava iluminada como se fossemesmo Natal, com fiadas de lâmpadas brancas a contornar o telhado e as cornijas. No entanto, não foram os Wilder que fizeram a casa brilhar. Em vez disso, foi um desconhecido, Carson Zickgraf, cuja profissão é montar iluminações, através da sua empresa CZ Enterprises LLC. O homem de Treasure Valley, no Idaho, assumiu a missão de iluminar as vidas de famílias afetadas pelo suicídio, especialmente durante as dolorosas quadras festivas – e funciona. «Desatei a chorar», disse Debbie, contando o momento em que viu as luzes pela primeira vez. «Foi mesmo especial.» 

Carson Zickgraf tem oferecido os seus serviços de iluminação desde 2015 e decorou a casa de mais de duas dúzias de famílias. São sobretudo des conhecidos que Zickgraf descobre através de um grupo de apoio chamado «Not One More Suicide».

Quando chega a uma casa para pendurar luzes, bate à porta para contar o seu plano à família, mas, se não estiver ninguém, ele monta as luzes e faz-lhes uma surpresa. Numa das casas-surpresa, ele começou a pôr as luzes sem se aperceber de que a dona estava em casa.

Quando ela descobriu o que Zickgraf e a sua equipa estavam a tramar, correu para a rua... e abraçou toda a gente. Zickgraf iniciou o projeto por acaso. Estava a pendurar luzes na casa de um cliente quando o dono mencionou que uns vizinhos estavam a passar por um período difícil naquela quadra, porque o filho deles se tinha suicidado recentemente. Nesse momento, Zickgraf teve uma epifania. «Mandei a minha equipa até lá, para também decorarem aquela casa», diz. A família ficou encantada.

Zickgraf descobriu que tinha encontrado uma espécie de vocação. Na verdade, ele teve dois amigos que se suicidaram e sempre tinha desejado aliviar a dor dos seus entes queridos.

Agora encontrara uma forma. «Podemos cortar-lhes a relva ou levar-lhes uma refeição, mas ficamos sempre a pensar que gostaríamos de fazer mais», diz Zickgraf. «Há algo de especial nas luzes de Natal. Elas aquecem o espírito.» Depois de arranjar os nomes de família no «Not One More Suicide», Zickgraf muitas vez pendura as decorações com a ajuda de um amigo, Sean Miner.

Quando envia a sua equipa profissional para fazer o trabalho, não lhes conta a história, por respeito à privacidade da família,embora os trabalhado res por vezes adivinhem. A luzes são montadas em meados de novembro e retiradas depois do Ano Novo. Cada trabalho demora uma hora, embora Zickgraf muitas vezes se prepare antes de chegar a uma casa. Se fala com a família antes de começar, pergunta qual a cor de luzes que o falecido teria preferido. Mas, quando é uma surpresa, o assunto fica entregue às suas mãos experientes. Lê memórias online e obituários, para «sentir» a pessoa, e depois escolhe uma cor. Zickgraf sabe que os seus esforços não conseguem levantar o véu de luto destas famílias, mas podem dar à quadra um pouco mais de alegria. «Gostaria de ter uma empresa maior para poder fazer mais casas», diz.