DEMÊNCIA — MITO E REALIDADE

 

São muitos os adultos que temem mais a doença de Alzheimer ou outras formas de demência do que a doença cardíaca, a diabetes ou o cancro.

 

«Perdermos a cabeça» equivale a perdermo-nos a nós mesmos.

Embora ainda não tenha aparecido uma vacina ou uma cura para o Alzheimer, já existem muitos conhecimentos sobre como aliviar os primeiros sintomas e possivelmente atrasar o aparecimento da doença.

Algumas pessoas, apesar de tomarem todas as precauções, acabam por desenvolver demência; outras não fazem praticamente nada e nunca a desenvolvem. Embora as probabilidades de contrair Alzheimer aumentem progressivamente com a idade, isto não significa que esta doença seja uma consequência inevitável do envelhecimento. De acordo com a Alzheimer’s Society, cerca de uma em cada 50 pessoas entre os 65 e os 70 anos tem alguma forma de demência, proporção que aumenta para uma em cada cinco pessoas acima dos 80 anos.

É provável que o aumento progressivo do risco de demência à medida que se envelhece esteja associado a doenças que se tornam mais comuns com a idade, como a hipertensão, doenças cardiovasculares (ataque cardíaco e AVC), alterações dos neurónios relacionadas com a idade, ADN ou estrutura celular e enfraquecimento geral dos sistemas de recuperação naturais do corpo. As boas notícias: com cuidado, vigilância e tratamento médico apropriado, muitos destes fatores podem ser controlados. Embora a idade seja o principal risco para se desenvolver demência, a verdade é que existem outros. As mulheres têm uma tendência ligeiramente superior aos homens para desenvolverem Alzheimer; não só porque em média vivem mais mas também por outros motivos que ainda não são conhecidos. Por outro lado, os homens são mais atreitos a desenvolver demência vascular, provavelmente relacionada com o aumento dos fatores de risco cardiovasculares, como doença cardíaca e hipertensão.

Os genes também desempenham um papel de destaque e, por vezes, a demência é uma doença de família. Um gene específico, chamado apolipoproteína E4 (ApoE4), está fortemente associado à doença de Alzheimer — embora algumas pessoas portadoras deste gene não desenvolvam a doença, e esta possa ocorrer em quem não tem este gene.

Tal como as doenças cardiovasculares aumentam o risco de demência vascular, também existem outras doenças menos comuns que aumentam o risco de demência. Entre estas contam-se: esclerose múltipla, doença de Huntington, síndrome de Down e sida. Lesões graves ou repetidas na cabeça também agravam o risco do desenvolvimento de demência.

 

 

FATORES DO ESTILO DE VIDA Além dos genes, do género e de determinadas doenças, algumas das quais quase irreversíveis, o estilo de vida pode desempenhar um papel importante no desenvolvimento de demência. Atualmente, muitos investigadores acreditam que o risco de alguém desenvolver demência depende de uma combinação de fatores genéticos e ambientais.

Contudo, mesmo que tenha muitas probabilidades de a desenvolver, há alguns passos que pode dar que podem atrasar o aparecimento da doença de Alzheimer e que ajudam, com certeza, a reduzir o risco de demência vascular, o tipo associado às doenças que afetam os vasos sanguíneos do cérebro.

Num estudo que examinou os efeitos da atividade física, o risco de demência entre as pessoas que faziam exercício três vezes por semana aumentou muito mais lentamente do que o das pessoas que faziam exercício com menos frequência. O risco do grupo ativo só aumentou para 50% aos 92 anos e, nessa altura, o risco dos que faziam menos exercício já era de 75%. O exercício é benéfico porque ajuda a baixar a tensão arterial, protege da diabetes, melhora a circulação sanguínea e estimula a formação de novas células cerebrais.  

Os estudos que têm analisado se a alimentação pode ter influência no risco do desenvolvimento da doença de Alzheimer chegaram a conclusões contraditórias. No entanto, tal como já foi referido, existem indícios de que tudo o que se come pode ter um grande impacto no risco de doenças cardiovasculares e, portanto, de demência vascular. Em particular, há alguns dados que sugerem que a dieta mediterrânica está associada a um menor risco de demência (veja a página 64). Os especialistas creem que este regime alimentar beneficia os vasos sanguíneos e ajuda a combater as infeções, que podem desempenhar um papel importante no desenvolvimento de doenças cerebrais.

Também é importante garantir que se mantém o cérebro estimulado e empenhado, tal como manter uma rede social ativa durante toda a vida. As provas são bastante convincentes de que as melhores condições para prevenir ou adiar o declínio cognitivo são a combinação da atividade social, física e mental, a par de um bom controlo de doenças, como a diabetes, a hipertensão e o colesterol elevado.

 

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Texto retirado de "Cérebro em Forma para Toda a Vida"