Dicas de memória de uma Especialista da Polícia

 

Quantas vezes por semana tenta lembrar-se de algo que insiste em pregar-lhe partidas, como o sítio onde deixou as chaves do automóvel? Seria tão fácil se pudesse carregar num botão para ter acesso à informação.

Porém, não é assim tão simples, mas poderá lembrar-se melhor com as técnicas que Natalie Sweet, uma desenhadora de retratos-robô da polícia, utiliza com testemunhas de crimes. Natalie ajuda todos os dias pessoas comuns a lembrarem-se de pormenores físicos que a ajudem a criar um retrato consistente do suspeito de um crime. Vejamos as suas dicas.

 

Passo 1 Tente descontrair-se.
Se perdeu as chaves, não entre em pânico. Isso só piorará a situação.
Natalie alivia a pressão dizendo às testemunhas que o objetivo de um esboço é que este se aproxime o mais possível do que recordam. Não pretende ser perfeito e ninguém será preso apenas com base no esboço.


Passo 2 Recue no tempo e descreva todos os pormenores de que se lembra.
Feche os olhos e tente lembrar-se da última vez que esteve com as chaves. Vinha de uma reunião? Que roupa vestia? Estava a chover?

Natalie permite que o cérebro da testemunha «aqueça» falando de tudo acerca do dia do crime, exceto do próprio crime. Por exemplo, pode pedir à testemunha que se lembre de tudo o que aconteceu antes do incidente. Lembra-se do que estava a fazer imediatamente antes? Como estava o tempo? Assim que a testemunha parece estar mais descontraída, Natalie pede-lhe que feche os olhos e comece a descrever aquilo de que se lembra do espaço em redor do local do crime. Pede-lhe que olhe à volta da sala e que descreva tudo o que vê, o que está pendurado nas paredes, o tipo de iluminação e a cor das paredes.


Passo 3 Finja que é um observador.
Se tinha as chaves quando entrou em casa, imagine que estava a observar-se a entrar. Tem as chaves na mão? Demorou-se à entrada?
As emoções, como o medo ou a fúria, podem bloquear as memórias de qualquer incidente. Por isso, Natalie leva as testemunhas a reproduzirem a cena do ponto de vista do observador. «Retiro-as da posição em que se encontravam, seja de vítima ou de testemunha», afirma. «Digo-lhes para pensarem naquilo como se estivessem a ver de fora, como se estivessem a fi lmar o que aconteceu ou a ver a cena na televisão. Isto dá-lhes uma perspetiva diferente.»

Passo 4 Seja flexível.
Reproduza o incidente para trás e para a frente até que a sua mente descubra uma pista que conduza à imagem crítica: o local onde deixou as chaves.

O cérebro tem uma capacidade notável para revisitar as memórias, para trás e para a frente, e fotograma a fotograma. As memórias estão lá, mas temos de ser flexíveis na maneira como as procuramos. Depois de a testemunha descrever o ambiente do crime e o acontecimento, Natalie pede-lhe que «rebobine» o «filme mental» até ao ponto onde tem a imagem mais nítida do suspeito. A seguir, pede-lhe para congelar um fotograma na mente.


Passo 5 Não tenha pressa.
Acabará por se lembrar; tenha paciência.
A criação de um esboço demora em média duas horas. Alguns levam bastante mais tempo. Não se pode apressar a memória e esperar bons resultados. 

 

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Texto retirado de "Cérebro em Forma para Toda a Vida"