Dilemas

 

Por Dina Isabel

Locutora e Diretora da Rádio Sim

 

As coisas de que não gosto, mas que devo fazer, e as coisas que não devo fazer, mas de que gosto... Passamos a vida nisto! Não gosto de ir ao ginásio, mas vou. Sei que é o mais indicado para quem tem um estilo de vida sedentário, e a minha saúde assim o pede.

Não gosto de usar saltos altos, mas às vezes tem de ser. Algumas obrigações sociais a isso obrigam.

Não gosto de dizer «não» às pessoas de quem gosto, nomeadamente aos meus filhos, mas digo. Dizer «não» é, muitas vezes, a única forma de indicar o caminho certo, de educar e de amar.

E, inversamente, será que há coisas de que gosto, mas a que não devia ceder? Claro que sim. Gosto de farturas, rissóis e croquetes, mas não é saudável!

Gosto de jogar no telemóvel até me distrair com as horas, mas a verdade é que isso é tempo perdido.

Gosto de tomar banhos longos, mas não o faço há muito tempo – a água é um bem precioso.

É assim a vida de todos os dias: um equilíbrio entre o que podemos, devemos, gostamos ou não gostamos... Pensando bem, muitas vezes nem nos apercebemos dessa «ginástica», com a qual nos confrontamos para os nossos diferentes papéis sociais: o nosso meio profissional, a nossa família, os nossos amigos.

Mas será que não sobra espaço para pensarmos em nós sem nos preocuparmos com o impacto que temos na vida dos outros ou com aquilo que possam pensar? Será que não nos sobram momentos para gastarmos connosco sem culpa? Talvez não sobre muito, de facto, mas reservo-me o direito de ter alguns: preguiçar um dia inteiro a ver séries e filmes, ignorando a casa menos arrumada. Comer uma tablete inteira de chocolate sem pensar na balança. Olhar para o telemóvel e decidir não atender uma chamada.

Todos temos direito a decidir de vez em quando: Hoje é como eu quero e acabou! Está comigo?