Emoções pouco saudáveis

 

Os sentimentos negativos e a forma destrutiva como são exteriorizados têm um efeito prejudicial sobre as defesas imunitárias.

A raiva, a hostilidade e o desespero são os piores, por isso vale a pena adquirir algum controlo destas emoções.

 

Ficar fulo é mau? Quando nos zangamos, as hormonas do stress e outras substâncias químicas irrompem pelo corpo, afetando quase todos os órgãos. Na maior parte dos aspectos, a raiva e o stress têm efeitos físicos semelhantes. Contudo, um elemento adicional de agitação emocional torna a raiva ainda mais nociva.

Quando crianças, aprendemos a ter vergonha de sentir raiva porque somos castigados sempre que a expressamos de forma inaceitável. Aquilo que os pais esquecem com frequência é que a raiva é uma emoção normal. Quando alguém nos magoa ou humilha, está na nossa natureza explodir e defendermo-nos física e psicologicamente. Tente tomar consciência da raiva que sente, faça valer a sua razão e depois siga em frente: uma zanga abertamente exteriorizada pode ser muito libertadora.

Os problemas surgem quando as pessoas dirigem a raiva para alvos errados. O exemplo clássico é o do homem que dá um pontapé ao cão quando chega a casa porque teve uma discussão com o chefe. Também é frequente reagirmos à raiva reprimindo-a, mas isso é mau em termos de saúde

A raiva reprimida afeta o organismo como o stress crónico. O nível de adrenalina sobe de repente, logo a seguir o de cortisol. Se não nos exprimirmos, estes níveis mantêm-se elevados e abrem caminho à hipertensão arterial, a doenças cardíacas, dores de cabeça, problemas de pele e de digestão. A raiva reprimida desgasta a energia e enfraquece a capacidade de combater a doença. Também pode dar origem a atitudes que prejudicam ainda mais a nossa saúde.

 

A raiva e o sistema imunitário. O efeito negativo da raiva sobre a imunidade está bem compreendido. Num estudo, os investigadores expuseram um grupo de homens saudáveis a um vírus da constipação. Os homens deprimidos, frustrados e zangados constiparam-se quando inalaram o vírus. Após a exposição ao vírus, pediu-se a um subgrupo de participantes que recordasse e falasse de um facto que os enfurecesse. Estes homens, tal como os que estavam zangados no início do estudo, mostraram ter mais probabilidades de desenvolver sintomas de constipação com o vírus do que aqueles cujo estado de espírito se manteve sem alterações.

Diz-se que a raiva reprimida pode provocar cancro. Esta afirmação pode ser simplista, mas há provas que sugerem que a raiva não manifestada é, de facto, fator de desenvolvimento de cancro. Um estudo detetou números reduzidos de células anticancerígenas perto dos tumores de doentes com cancro de pele que controlavam os seus sentimentos de raiva. Mas nos doentes que aprenderam a exteriorizar a sua raiva houve uma alteração do prognóstico. Os doentes que reprimiam a cólera e cujo sistema imunitário mostrava fraca atividade anticancerígena aprenderam a reconhecer e a exprimir os seus sentimentos. Quando começaram a fazê-lo de modo saudável, o crescimento dos seus tumores abrandou.

 

Hostilidade: pior do que pensa. As palavras «raiva» e «hostilidade» são muitas vezes usadas na mesma aceção, mas não são as mesmas emoções. A raiva é temporária. Deflagra de repente, mas se for enfrentada de imediato, acaba por se dissipar. A reação física, semelhante ao stress, também se atenua. A hostilidade é mais duradoura. É uma atitude que se manifesta por um comportamento agressivo, motivado não por uma agressão ou afronta, mas por uma animosidade e desconfiança constantes. Hostilidade deriva da palavra latina hostis, que significa inimigo. Na verdade, as pessoas hostis estão à espera de encontrar inimigos em qualquer lugar.

As pessoas com altos níveis de hostilidade são cínicas, desconfiadas e descrentes. Manifestam a sua raiva com frequência, muitas vezes por causa de incidentes insignificantes. O comportamento hostil é ameaçador, e as pessoas hostis afastam-se dos outros, ficando isoladas na sua raiva e por causa dela. Esta combinação de raiva, desconfiança e isolamento origina graves problemas orgânicos. A hostilidade leva o cérebro a enviar os mesmos sinais do stress, produzindo os mesmos efeitos nocivos. De acordo com uma investigação da Universidade do Texas, a adrenalina e outras hormonas do stress bloqueiam a capacidade de os macrófagos (células do sistema imunitário que procuram anormalidades) destruírem células tumorais.

A hostilidade também enfraquece a parte do sistema nervoso que acalma o organismo após emergências causadoras de stress. Num estudo da Universidade do Michigan, pediu-se a sujeitos com e sem altos níveis de hostilidade que descrevessem factos que lhes tivessem causado tanta raiva que lhes «dera vontade de explodir». A recordação da raiva provocou subida da tensão arterial em ambos os grupos. Depois disso, porém, a tensão levou o dobro do tempo a regressar ao normal no grupo com níveis elevados de hostilidade.

 

Como lidar com a hostilidade. A investigação mostra uma forte ligação entre a hostilidade e as doenças cardíacas e maior tendência para asma e artrite. Felizmente, tal como a raiva, a hostilidade pode ser ultrapassada, embora possa exigir um pouco mais de esforço, pois implica uma atitude negativa enraizada. Redford Williams e Virginia Williams, pioneiros no estudo dos efeitos da hostilidade sobre a saúde, sugerem que as pessoas hostis podem reaprender, através da razão, a encarar as situações quando sentem o seu espírito negativo a manifestar-se. Antes que a raiva e o ressentimento fiquem fora de controlo, pergunte a si próprio: será que este assunto merece que eu perca tempo? A minha reação justifica-se? A minha resposta será eficaz – ou seja, exprimir a minha raiva conseguirá alterar a situação? Se isto não ajudar, tente distrair-se: ouça música calma, faça um puzzle ou gaste energia num trabalho físico, como lavar o automóvel, arrancar ervas daninhas ou esfregar o chão.

________________________________________

Excerto retirado de "REFORCE AS SUAS DEFESAS"