Gosto de ler, sempre gostei

 

Por Dina Isabel

Locutora e Diretora da Rádio Sim

QUANDO ERA CRIANÇA era frequentadora assídua da Biblioteca Municipal. Não havia a prática mais comum nos dias de hoje de se comprar livros para ler, até porque, à velocidade a que eu o fazia, o ordenado dos meus pais não dava para isso.

Regularmente, às vezes mais do que uma vez por dia, mergulhava nas fichas de arquivo que me permitiam encontrar livros para devorar.

Inscrevi-me com 8 anos e ainda me lembro do primeiro livro que trouxe: Nodi em Sarilhos. É verdade, o Nodi já era um herói infantil há mais de 40 anos, talvez menos perfeito e colorido que nos dias de hoje. Foi o princípio de tudo. Perdi a conta aos livros que trouxe embrulhados numa capa de papel onde eram carimbados os números de entrada e saída.

Muitas pessoas de diferentes gerações, sem a sorte de terem uma biblioteca fixa como eu, cresceram ao sabor da itinerância das Bibliotecas Gulbenkian. E que importantes foram.

Ao longo dos anos, também devido à minha vida profissional, consegui reunir uma generosa biblioteca que só consigo guardar, na grande maioria, na garagem. Tenho um problema: não consigo deitar livros fora. Ou guardo, ou vou oferecendo.

Não consegui mobilizar todos os meus filhos para este gosto pela leitura, pelo menos na parte física do livro, que para mim tanta diferença faz. Não vale a pena desesperar, hoje o paradigma é diferente e os ecrãs ocupam muito espaço e tempo na vida de todos nós. Também a mim me penalizo pelo pouco tempo que tenho dedicado aos livros em detrimento dos ecrãs.

Vem aí o meu período de férias, os meus filhos já são crescidos e autónomos, por isso… venham os livros!!!! É um dos meus prazeres de sempre: praia, livro, mar, livro, bebida fresca, livro, mar, livro, e por aí fora. Levo vários na bagagem para poder escolher e não ficar desprevenida quando o primeiro acabar.

Boas leituras e bom verão.