Hepatite: Quem está em risco?

 

O que precisa de saber sobre esta doença.

 

 

Samantha Rideout

É TEMPO DE VOLTAR AO ABC: a hepatite viral (inflamação do fígado) – é classificada com uma letra diferente consoante o vírus que esteja envolvido. Todas as variedades são contagiosas e podem causar fadiga, náuseas, febre, dores no estômago ou olhos amarelados, e algumas sobrecarregam tanto o órgão que podem levar a cicatrizes permanentes, cancro ou à necessidade de um transplante.

 

Felizmente, em geral as probabilidades de apanhar hepatite são bastante baixas. A hepatite A (transmitida sobretudo por alimentos ou água contaminados
com fezes) vai e vem em pequenos surtos, enquanto a D (uma complicação da hepatite B) e E (normalmente transmitida por água suja) são pouco comuns nos países desenvolvidos. Feitas as contas, a maior parte do peso da hepatite cai sobre as B e C, que são crónicas em 0,9% e 1,1% dos europeus, respetivamente.

 

A hepatite B encontra-se no sangue, no sémen e nos fluidos vaginais, por isso o risco é superior à média para quem tiver sexo sem proteção com múltiplos parceiros, e para quem se tiver injetado com drogas ou tiver partilhado escovas de dentes, lâminas de barbear ou corta-unhas com uma pessoa infetada. Se contrair hepatite B em adulto, há 95% de probabilidades de o seu sistema imunitário a derrotar sem  tratamento médico. No entanto, as crianças tornam-se normalmente portadoras para toda a vida. Esta estirpe pode não mostrar sintomas antes de levar a complicações, que são um risco para um quarto dos portadores crónicos. Assim, a maioria das autoridades de saúde sugere que as crianças sejam vacinadas, bem como os adultos em risco que não tiveram a vacina na infância. Entretanto, a hepatite C é sobretudo transmitida pelo sangue. O risco é maior se usar drogas intravenosas, partilhar objetos de higiene ou tiver recebido uma transfusão antes da década de 1990, data a partir da qual a tecnologia de rastreio ficou disponível. Ainda não há uma vacina para a hepatite C, e por vezes os sintomas não aparecem até já haver danos graves no fígado. As probabilidades de alguém se livrar da doença sem tratamento são apenas de 1 para 4, mas há novos medicamentos que a curam em 90% a 97% das vezes, segundo a Dr.ª Helena Cortez-Pinto, especialista em fígado da United European Gastroenterology. «A Organização Mundial de Saúde tem o objetivo de eliminar as hepatites B e C enquanto ameaças à saúde pública até 2030», diz a Dr.ª Cortez-Pinto. Com a ajuda da vacinação, dos tratamentos e do conhecimento dos riscos, é uma meta realista.