NA VILA VELHA DE OURÉM

Este passeio à Vila Velha de Ourém inicia-se pelas portas da vila, abertura e declivosa, 

entalada na muralha e formada por dois pequenos arcos sucessivos, no topo de uma íngreme ladeira.

Assente sobre um alto monte, isolado no meio da planície e dos vales que a circundam, torna-se fácil compreender que esta situação privilegiada tivesse sido aproveitada, desde o início da nacionalidade, como ponto estratégico. Cercada e contida no recinto das muralhas, que se ajustam em toda a volta à linha dos pendores, vista de longe forma um só corpo com o morro.

O percurso, no interior, realiza-se numa atmosfera medieval. Esperam-nos calçadas íngremes, ruelas estreitas, ruínas góticas, panos gigantescos das muralhas do castelo e a meio as grandezas do solar fidalgo. Enfim, tudo evoca intensamente o seu passado de vila acastelada e residência de senhor feudal. Logo que se passem as portas da vila, encontra-se, à direita, a abside primitiva da Colegiada de Ourém, e, mais adiante, sobre a esquerda, uma grande e pitoresca fonte (1435) com duas arcadas ogivais e sobre a bica as armas do conde de Ourém.

Torneando a ladeira íngreme sobre a direita, depara-se-nos a entrada da Igreja da Colegiada de Nossa Senhora da Misericórdia, ou da Visitação. Só a parte posterior da abside e a cripta pertencem ao primitivo templo. O edifício actual data de 1758- 70; embora de grandes dimensões, não tem nada de especial a destacar. É, porém, sob o pavimento da capela-mor que se pode observar a mais notável jóia de Ourém: a Capela do Marquês, cripta em abóbada, sustentada por seis colunas, todas de capitéis diferentes e ornatos com cunho oriental. Ao centro, lá está o magnífico túmulo do conde de Ourém, mandado construir pelo duque de Bragança D. Fernando II.

A visita à cripta e ao túmulo justificam-se, porque constituem um notável conjunto, que deixa uma forte impressão de encanto. Depois desta encantadora capela do marquês, o monumento desta vila mais digno de visitar-se é o Paço do Conde de Ourém e os restos do castelo. O paço traduz-nos grandeza primitiva e a magnificência do conde D. Afonso, que o mandou construir.

Do lado oposto às portas da vila abrem-se as chamadas Portas de Santarém. mais amplas e conservando ao alto o escudo com as armas da vila. Do lado interior e ligada ao arco da entrada, situa-se uma pequena capela da invocação de Nossa Senhora da Conceição, padroeira do Reino.

Do alto, junto da igreja da Colegiada, ou, mais alto ainda, para norte, do Terreiro de Santiago, desfruta-se uma vista deslumbrante. Em baixo, mas sem monumento de destaque, estende-se a cidade de Ourém.