Natal é onde toda a gente cabe

 

Por Dina Isabel

Locutora e Diretora da Rádio Sim

 

 

Gosto do mês de dezembro. Gosto do mês de dezembro, porque o Natal está lá dentro! Sou uma mulher mais feliz aos primeiros acordes das musicas natalícias. É verdade que as lojas estão mais cheias, que o trânsito fica virado ao contrário, mas não faz mal, o Natal está lá.

A minha infância está preenchida de boas memórias de Natais passados em família: com fogão a lenha, filhós batidas à mão em alguidares de barro e camas improvisadas no chão para que todos coubessem sem ser preciso enfrentar as estradas perigosas do regresso.

Lembro-me de um Natal em que o meu tio Ezequiel apareceu com os presentes vestido de Menino Jesus. Foi uma festa para os mais novos, e não só. 

Tenho uma irmã. Depois dos casamentos é sempre difícil gerir o tempo que se passa com a família de cada um dos lados. Há uns anos, tomámos uma decisão: em vez do conforto de uma sala com lareira e sofás, passamos o Natal num terreno dos nossos pais com um pré-fabricado amplo que usamos para en contros de verão mais informais. Já há alguns anos que o Natal é aí. Liga-se menos a televisão, conversa-se à volta da mesa e, o que mais pesou na nossa decisão, consegue caber toda a gente.

É isso: não temos lareira, nem sofás confortáveis, nem as nos sas camas ali ao lado. Mas temos o que é preciso: espaço para ter toda a gente de quem gostamos – avós, netos, filhos, sobrinhos, pais. Naquele espaço cabem o Pai Natal, as decorações variadas de bolas, estrelas e fitas coloridas.

Do meu lado, fica o Presépio, que nem toda a gente entende, mas que ninguém questiona. Não desisto de lembrar a todos o que o Natal significa: o nascimento do Salvador.

Fico sempre comovida com aquilo que o Menino Jesus trouxe às nossas vidas: a fragilidade de um bebé pequenino, que os pais fizeram nascer contra tudo e contra todos. O presente maior que Deus entregou à humanidade: o seu próprio filho.