Nem sempre é alergia!

 

Cerca de 33% da população diz ter alergia a certos alimentos, mas, na maioria dos casos, tem o que os médicos chamam intolerância, ou sensibilidade, alimentar.

A verdadeira alergia alimentar – uma reação imunitária adversa a um componente de um alimento – afeta menos de 2% dos adultos.

Nem sempre é alergia

São vários os tipos de reação adversa a alimentos que não são alergias.

Intolerância alimentar. A maioria dos casos de intolerância aos alimentos não passa de problemas digestivos: gases, dilatação do estômago ou diarreia. Os alimentos ricos em fibras, como farelo, feijões e certos legumes crucíferos (brócolos, couves-de- -bruxelas, couve e couve-flor), causam muitas vezes estes problemas em pessoas suscetíveis A intolerância à lactose ocorre quando o organismo não produz quantidade suficiente de lactase, uma enzima necessária à digestão da lactose, um açúcar do leite. Neste caso, a lactose permanece nos intestinos e provoca dores e diarreia. As pessoas com intolerância à lactose devem evitar beber leite ou apenas pequenas quantidades de cada vez. (A maioria das pessoas produz lactase suficiente para digerir pequenas porções de lactose.) Podem evitar-se estes problemas comendo iogurtes, em que as bactérias já decompuseram parte da lactose, ou leite com adição de lactose. Outras alternativas são o leite sem lactose, o leite de soja ou o leite de arroz.

Sensibilidade. Algumas substâncias naturais ou alguns aditivos causam reações que parecem relacionadas com alergias – espirros, dores de cabeça ou náuseas, por exemplo. Mas não são alergias verdadeiras, pois não há participação do sistema imunitário. Existem centenas de substâncias que podem causar reações destas em pessoas sensíveis. Alguns dos alimentos que mais reações deste tipo causam são azeitonas e chucrute; tiramina, nos queijos curados; sulfitos, no vinho tinto, cerveja e frutos secos; feniletilamina, no chocolate; nitritos, nos cachorros quentes, salame e pastrami e frutose (açúcar da fruta) nalguns refrigerantes, sumos de fruta e outras bebidas.

Doenças por via alimentar. Alimentos mal cozinhados ou manuseados indevidamente, sobretudo carnes mal passadas (v. pp. 260-261), podem causar sintomas gastrointestinais graves, como náuseas, dores abdominais e diarreia, que facilmente se confundem com alergias alimentares.

 

Faça análises

Para confirmar ou afastar a hipótese de uma alergia alimentar, peça ao médico que lhe indique um especialista em alergias. A consulta deve começar por um exame físico geral para detetar outros problemas médicos que não as alergias. Uma vez que as alergias são hereditárias, o especialista quererá saber a história médica da sua família. Esta parte da investigação, bem como os testes cutâneos e os imunoensaios (RAST, ou radioallergosorbent tests), é sempre igual para qualquer tipo de alergia – febre-dos-fenos, urticária, asma ou alergia alimentar. Se houver suspeita de alergia alimentar, ser-lhe-á pedido que descreva os sintomas que tem quando ingere certos alimentos. Manter um registo do que come durante umas semanas pode ajudar a identificar a relação entre diferentes alimentos e os sintomas, permitindo distinguir entre alergias verdadeiras e problemas mais comuns, como intolerância e sensibilidade aos alimentos. Um ou mais dos testes seguintes confirmarão o diagnóstico de alergia.

Picada na pele. Coloca-se sobre a pele uma gota de extrato do alérgeno suspeito (preparado em laboratório) e pica-se a pele nesse sítio com uma agulha. Se aparecer um inchaço (pústula), significa que o seu sistema imunitário é sensível a essa substância. É preciso que exista sensibilidade para que haja reação alérgica, mas pode ser-se sensível e não apresentar alergia à substância. Em geral, um teste negativo (não há inchaço visível) significa que não é alérgico à substância testada.

RAST. Este teste mede a quantidade de anticorpos de imunoglobulina E (IgE) para certos alérgenos. Sendo menos preciso do que a picada na pele, é mais utilizado quando o teste da picada não é viável.

Teste controlado por placebo, duplamente cego. Os dois testes anteriores podem dar os chamados resultados «falsos positivos», por isso um diagnóstico final sobre uma determinada alergia poderá exigir um teste de confirmação. Neste teste, o doente ingere o alimento que se suspeita ser o causador da alergia (disfarçado) e um placebo que tem o mesmo gosto e o mesmo aspecto. Nem o médico nem o doente sabem qual deles contém o alérgeno. Este teste só deve ser realizado num consultório ou hospital onde haja pessoal médico qualificado, para o caso de haver uma reação grave por parte do paciente.

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Excerto retirado de "REFORCE AS SUAS DEFESAS"