«Ninguém passa frio!»

 

Há uma família que tem por tradição cortar lenha junta – e isso aquece o coração de outros.

 

Andy Simmons

 

Washington é uma terra de muitas árvores – afinal, é o Estado das Coníferas – e também de muitas lareiras e fo­gões a lenha. Mas e se vivesse lá e não pudesse cortar lenha ou pagar a alguém para o fazer? Felizmente, Shane McDaniel e os seus filhos gé­meos, Harrison e Henry McDaniel, de 21 anos, têm prazer em partilhar o machado. Os três homens cortam camiões de lenha – que depois doam a quem precisa. «Quero pessoas que estejam a queimar cartão porque não têm mais nada», explicou Shane a heraldnet.com. «Ou alguém com 75 anos sem dinheiro, ou que partiu um ombro e não consegue cortar lenha.»

A ideia começou como um projeto para aproximar pais e filhos, contou ele a msn.com. «Eu tinha de cortar lenha com o meu pai. Ele adorava fazê-lo», diz Shane, de 48 anos, di­vorciado e pai de seis filhos. Queria passar esse sentimento aos seus, por isso ele e os gémeos passaram o verão de 2018 como um clã de Paul Bunyans (o lendário lenhador gi­gante). O resultado foi uma enorme pilha de lenha em volta da sua casa no lago Stevens, a 50 quilómetros de Seattle. Tecnicamente tinha 40 cor­das (uma corda mede 1,20 metros de altura por 1,20 de comprimento e 2,40 de largura). Comprar essa lenha custaria cerca de 10 mil dólares.

Era demasiada para os McDaniel usarem e, em novembro, quando o tempo ficou frio, Shane começou a pensar nos outros. Publicou no Fa­cebook: «Se precisa de lenha para a lareira e não tem dinheiro, por fa­vor envie-me uma PM (mensagem privada)… Se conhece alguém que queime lenha e que tem a casa fria para este Natal, ajude-nos a encon­trá-lo. Por favor, ajude-me e aos meus filhos a garantirmos que NINGUÉM PASSA FRIO NA NOSSA ZONA.»

A resposta foi imediata. Um ho­mem ofereceu-se para doar uma for­nalha a lenha. Outros acorreram ao Norm, o minimercado que pertence a Shane, com mais lenha para o monte. Uma mulher, que viu a fotografia dos musculados McDaniel no Facebook, começou a sentir calor de outras ma­neiras. «Por favor, publiquem mais fotografias em camisola sem mangas. Eu não preciso de lenha mas aprecio lavar a vista!»

A mãe solteira Kately Ticer, de 29 anos, e a filha de 4 anos, dependiam do fogão a lenha como única fonte de calor, por isso foi um alívio recebe­rem um carregamento de lenha dos McDaniel antes da quadra natalí­cia. «Receber tanta lenha levou-me às lágrimas», disse a msn.com. «Tanto stress e ansiedade que me saiu de cima, não podia estar mais agradecida.»

Nem todos os que receberam se mostraram tão efusivos. «Alguns não são amistosos. Não faz parte deles», diz Shane. «Estão furiosos com o mundo e por terem de pedir ajuda. Não têm outra opção a não ser não gelar.» Mas Shane não tem proble­mas com isso. «Dar é a recompensa», afirma. «Não é importante se é muito bem recebido, o que importa é se faz muita falta.»