O Anjo da Água

 

Quando o calor perigoso da Mãe Natureza apanhou alguns caminhantes de surpresa, este habitante local cheio de recursos veio em seu auxílio.

 

Andy Simmons

 

 

Mesmo quem nunca esteve em Phoenix sabe isto sobre o local: é quente. De junho a setembro a temperatura pode facilmente passar dos 38 graus. Mas isso não impede os andarilhos de tentarem fazer o caminho de 2 quilómetros até ao cimo da famosa Camelback Mountain, na cidade. Os sinais avisam que o trilho é «extrema­mente difícil». Se seguir em frente, uma lista afixada sugere pelo menos um litro de água por pessoa. Se se ainda assim não desistir, outro aviso declara: «Se a sua água chegar a meio, volte para trás!»

Infelizmente, muitas pessoas não ligam aos avisos. Felizmente, Scott Cullymore liga. Quando não dirige a sua empresa de limpeza de carpetes em Mesa, ali perto, Cullymore, de 53 anos, pode ser encontrado a caminhar para cima e para baixo em Camelback, duas vezes por dia, a distribuir garrafas de água fria aos caminhantes esgotados. Ajudou a hidratar tantos que ganhou uma alcunha celestial: Anjo da Água. «Eu gostava que me tivessem atribuído um nome mais macho, mas pronto», contou à azfamily.com.

Scott Cullymore estava na Camel­back Mountain num dia em 2015 quando um turista britânico morreu porque ficou perdido durante seis horas sob o calor de julho. Essa expe­riência inspirou-o a começar a ajudar as pessoas apanhadas desprevenidas pela versão implacável da Mãe Natu­reza no Arizona. «Eles subestimam a montanha e sobrestimam o que con­seguem fazer, e depois metem-se em apuros», resumiu ao Arizona Republic. Se um caminhante tem a cara corada e já não transpira, Cullymore diz que mete a mão na sua mochila térmica cor de laranja, pega numa garrafa ge­ladinha e dá-a à pessoa. Para ele não é nada gastar oito águas – que ele paga – numa volta para cima e para baixo na montanha. «Estarmos no meio da cidade é enganador. Pode-se morrer aqui em cima sem ninguém saber.»

Um caminhante que se se socorreu de uma das garrafas oferecidas con­corda. «Pensamos que conhecemos o calor mas depois chegamos aqui ao deserto e ele cobre-nos como uma manta», refere Austin Hill, que cami­nha com um amigo de liceu. Tiveram sorte, disse, apontando para Scott Cullymore. «Encontrámos este Bom Samaritano aqui.» E com isto o Anjo da Água vai à procura de mais um ca­minhante em apuros.