O Génio da Bondade

 

Uma aluna do sexto ano anima os idosos ao conceder-lhes os seus desejos mais sinceros.

Claire Nowak

 

 

Se pudesse ter três coisas, quais seriam?»

Ruby Kate Chitsey, de 11 anos, adora fazer esta pergunta, mas não se trata de um jogo que faz com as amigas no recreio. É uma pergunta que faz em casas de repouso no Arkansas, onde vive. Ela propõe-se realizar os desejos dos idosos. Desde há muito que Ruby está próxima de pessoas mais velhas. A sua mãe, Amanda Chitsey, é enfermeira e trabalha em casas de repouso no noroeste do Arkansas, e Ruby Kate costuma ir com ela para o trabalho no verão. «Nunca achei os idosos assustadores, por isso vou simplesmente ao  pé deles e pergunto-lhes se precisam de algo», resume. No passado mês de maio, Ruby Kate reparou numa idosa chamada Pearl, que olhava pela janela. Parecia triste.

«O que está a ver?», perguntou Ruby Kate.

Pearl disse que estava a ver o seu cão a ser levado pelo novo dono após uma visita. Pearl não sabia quando voltaria a ver o cão. Ruby Kate e Amanda fizeram algumas perguntas e ficaram a saber que a casa de repouso não permitia que os idosos tivessem cães e Pearl não podia pagar a alguém para cuidar do animal. Como Pearl era beneficiária do Medicaid, ganhava apenas 40 dólares por mês para gastar em artigos pessoais como roupa, corte de cabelo e artigos para animais de estimação. Mãe e filha também ficaram a saber que muitos idosos não conseguiam pagar mesmo os mais pequenos luxos. Deste modo, Ruby decidiu que estava na hora de fazer algo. Começou por perguntar aos idosos do lar quais eras as três coisas que mais queriam no mundo. «É mais simples do que perguntar: “Ei, o que quer?”», explica. «Conseguem com­preender melhor.» Amanda receou que lhe pedissem carros e coisas a que uma miúda de 11 anos não consegue aceder. Ao invés, as pessoas pediam chocolates, batatas fritas do McDonald’s, calças que lhes servissem e mesmo uma simples oração.

«Fiquei mesmo comovida», conta Amanda. «Saímos da casa de repouso nesse dia e fomos diretas a uma loja comprar o máximo de coisas que podíamos.»

Com o seu dinheiro, a família Chitsey conseguiu conceder desejos a cerca de 100 pessoas em três meses. Foi então que começaram a pedir doações.

As pessoas responderam com en­tusiasmo, de tal modo que Amanda criou uma página no GoFundMe, na Internet, chamada Three Wishes for Ruby’s Residents, na esperança de an­gariar 5 mil dólares. Bastou um mês para alcançarem o objetivo. Depois de a GoFundMe ter nomeado Ruby Kate «heroína infantil» e de ter divulgado internacionalmente a sua história, a Three Wishes juntou 20 mil dólares em vinte e quatro horas e mais de 250 mil em cinco meses.

No início deste ano, a Three Wishes tornou-se uma organização sem fins lucrativos e lançou as primeiras inicia­tivas à escala nacional. Um dos novos objetivos é instalar um computador portátil numa casa de repouso em cada estado. E Ruby Kate não quer parar por aí. «Considero que a bondade é o meu passatempo», resume, «e sou bastante boa nele».