O mais belo castelo português

 

Situado numa pequena ilha no meio do rio Tejo, o Castelo de Almourol é um dos monumentos militares medievais mais emblemáticos

do período da Reconquista, sendo ao mesmo tempo um dos que melhor evoca a memória dos Templários no nosso país. Não se sabe quando é que este local começou a ser habitado. Mas sabe-se que em 1129 o castelo já existia e chamava-se Al-morolan (pedra alta).

Embora os autores não sejam unânimes acerca da primeira ocupação da pequena ilha no Tejo, acredita-se que remonte a um castro pré-histórico.

A pesquisa arqueológica trouxe à luz testemunhos do período romano (moedas do século I a. C.) e do período medieval (medalhas.)

Não se pode precisar a origem do seu nome, assim como se torna difícil clarificar o significado e a própria grafia, do qual são conhecidas variações: Almoriol, Almorol, Almourel, Almuriel. Outros autores estabelecem ligação com o termo Moron, que Estrabão teria referido como cidade situada à beira Tejo, ou com o termo Muriella, que consta da descrição da delimitação do Bispado de Egitânia (Proença-a-Nova).

Quem o visita não pode deixar de mergulhar num imaginário de lutas e batalhas em que esses cavaleiros da Ordem do Templo participaram. Desde Jerusalém, estes estenderam-se ao Ocidente e tornaram-se o braço-direito de D. Afonso Henriques no movimento da Reconquista.

Com a extinção da Ordem, o Castelo de Almourol foi abandonado, até que em pleno século XX foi adaptado a Residência Oficial da República Portuguesa, aqui tendo lugar alguns importantes eventos do Estado Novo.

Hoje, é possível conhecer o castelo fazendo a passagem para a ilha com um dos barqueiros que ali trabalham todo o ano. Pena que não exista ninguém que explique ao visitante a importância e a história deste belo castelo, que agora está sob a alçada da Escola de Engenharia de Tancos.

Lendas

Várias histórias populares exacerbam o romantismo associado ao belo castelo templário.

A principal recua aos primeiros tempos da Reconquista. D. Ramiro, um cavaleiro cristão, regressava, orgulhoso, de combates contra os Muçulmanos quando encontrou duas mouras, mãe e filha.

Trazia a jovem uma bilha de água, que, assustada, deixou cair quando lhe pediu de beber rudemente o cavaleiro. Enfurecido, decidiu matar as duas mulheres ali mesmo, quando surgiu um jovem mouro, filho e irmão das vítimas, logo aprisionado. D. Ramiro levou o cativo para o seu castelo, onde vivia com a própria esposa e a filha, as quais o prisioneiro mouro logo planeou assassinar em represália.

Entretanto, se à mãe passou a ministrar um veneno de acção lenta, acabou por se apaixonar pela filha, a quem o pai planeava casar com um cavaleiro de sua fé. Correspondido na paixão pela jovem, que entretanto já sabia dos planos do pai, os apaixonados deixaram o castelo e desapareceram para sempre. Reza a lenda que nas noites de São João o casal pode ser visto abraçado no alto da torre de menagem, e, a seus pés, implorando perdão, o cruel D. Ramiro.