O que é o Stress?

 

Robert M. Sapotsky, biólogo da Universidade de Stanford, define o stress como tudo o que perturba as formas naturais de autorregulação do organismo. 

A cada momento, o organismo ajusta a tensão arterial, temperatura, frequência cardíaca, níveis hormonais e outras variáveis. Estes fatores são controlados pelo cérebro, que indica ao sistema endócrino (glândulas e órgãos produtores de hormonas) quais os ajustamentos a fazer consoante as circunstâncias, incluindo ferimentos, doença e exposição prolongada a temperaturas extremas.

A reação de luta ou fuga tem origem no hipotálamo, um órgão do tamanho de uma ervilha situado no cérebro. Também é no hipotálamo que as emoções e recordações são processadas e os sentimentos e necessidades básicos – fome, sede, desejo, fúria, pânico e dor – são controlados. Talvez devido ao facto de o hipotálamo processar tanto as reações emocionais como as sensações físicas, os acontecimentos que ameaçam a nossa sensação de segurança, autoestima ou posição social – as más notas de um filho, por exemplo, ou a perda de emprego do cônjuge – podem colocar o nosso corpo no mesmo estado de alerta máximo que uma fratura óssea ou o som de uma travagem brusca.

Com o tempo, a reação física ao stress mental pode tornar-se uma sobrecarga para o sistema imunitário, para o coração e, talvez até, para o cérebro. Paradoxalmente, a curto prazo, a reação de stress pode ter efeitos positivos sobre o sistema imunitário.

 

Quais as causas do stress?

Qualquer coisa que provoque sentimentos fortes, sejam eles dolorosos (zanga, tristeza ou medo) ou agradáveis (alegria ou excitação), pode desencadear uma reação de stress. É por isso que os acontecimentos positivos, como o nascimento de um filho, são também considerados causadores de stress. O fator comum, segundo os especialistas, é a mudança. Quando as circunstâncias e a rotina da vida são alteradas, para melhor ou para pior, há que fazer ajustamentos, e o esforço e carácter imprevisível do futuro contribuem para um aumento do stress. Em 1967, os psiquiatras Thomas Holmes e Robert Rahe, a Universidade de Washington, mostraram as ligações existentes entre 43 tipos de acontecimentos ou mudanças importantes na vida e as doenças relacionadas com o stress. Além de terem provado que o risco de doença aumentava no ano subsequente a tais acontecimentos, estes investigadores conseguiram classificá-los por ordem de grandeza do nível de stress que causavam.

Recentemente, foi revisto o questionário sobre o stress baseado naquele estudo, conhecido por Escala de Avaliação do Reajustamento Social. Um dos objetivos da nova investigação era saber se os eventos causadores de stress continuavam a ser associados à doença. Eis os resultados finais: a ligação entre alto nível de stress e doença continua tão forte como antes.

 

Uma perspetiva mais ampla

Cada pessoa tem, como é óbvio, uma reação específica face ao stress. Algumas pessoas conseguem aguentar-se firmes mesmo frente a acontecimentos que deixariam muitas outras de rastos. Embora ter que passar por várias mudanças importantes, como as registadas no quadro, possa provocar doenças, uma pontuação elevada traduz-se em apenas cerca de 30% de aumento de risco. Tudo indica assim que existam outros fatores envolvidos. Apresentamos em seguida algumas causas possíveis:

- Controlo. Fatores causadores de stress como a morte e dificuldades financeiras devido a uma recessão económica geral não podem ser controlados. Porém, a tensão causada por mudar de um trabalho rotineiro para outro mais exigente, mas mais estimulante, pode ser controlada. Muitos estudos sugerem que as grandes mudanças da vida resultantes de decisão própria desencadeiam reações de stress mais fracas do que as mudanças forçadas.

- Desejabilidade. Casar, ter um filhos ou ser promovido podem ser causas de stress, pois implicam mudanças. Porém, muitos especialistas sugerem que as mudanças desejáveis têm menos possibilidades de afetar a saúde do que as indesejáveis.

- Resistência. O termo «resistência» refere-se a um conjunto de traços que parecem proteger certas pessoas dos danos do stress. Os «resistentes» têm um forte sentido de controlo pessoal – se não sobre os próprios acontecimentos, pelo menos sobre o modo como estes os afetam. São pessoas empenhadas que veem a adversidade como um desafio a ultrapassar, não se considerando vítimas de circunstâncias injustas.

- Capacidade de enfrentar. Uma imunidade debilitada está relacionada com menor capacidade de enfrentar a vida, que se reflete em distúrbios da alimentação e do sono em situações de stress. Numa experiência, os investigadores inocularam mais de 100 pessoas com uma vacina antigripe, medindo em seguida a sua produção de anticorpos, índice fiável da força da resposta imunitária. Descobriram que as pessoas extremamente ansiosas em situações de stress tinham reações mais fracas à vacina do que as pessoas que encaravam as situações mais serenamente.

- Estilo de vida. Pessoas que comem mal, dormem pouco e não fazem exercício costumam ter reações físicas mais fortes ao stress mental do que as pessoas com uma vida saudável. Hábitos como fumar, consumo de drogas e abuso de álcool agravam os efeitos desgastantes do stress. E em situações de stress é mais provável que as pessoas retomem estes hábitos.

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Excerto retirado de "REFORCE AS SUAS DEFESAS"