Reconhecer o erro

 

Por Dina Isabel

Locutora e Diretora da Rádio Sim

 

HÁ DIAS, em conversa de café com uns amigos, chegámos à conclusão de que, perante alguma falha ou contratempo, existem dois tipos de pessoas: as que consideram que a culpa é sempre dos outros e as que tendem a achar que a culpa é sempre delas.

Tenho tendência a enquadrar-me no segundo caso. Se algo corre mal, o primeiro pensamento é: o que fiz de errado? Depois de alguma ponderação, lá consigo perceber se sim ou não. Ninguém é infalível e não tenho a presunção de que não cometo erros. De resto, tenho para mim que as pessoas que não cometem erros são muito aborrecidas. Como diz a velha máxima: «Só não erra quem não faz.» Isto não desculpa, obviamente, as pessoas que passam a vida a cometer erros, nem oito nem oitenta. O que me tira mesmo do sério são as pessoas cuja primeira frase é: a culpa não é minha! Mais irritante ainda é que apontem imediatamente o dedo a alguém sem qualquer ponderação.

Nas crianças é um instinto de defesa que se aprende a gerir, gente crescida não tem desculpa.

Pensado bem, há outra questão associada a isto que torna tudo mais complicado: reconhecer o erro perante os outros. Será sinal de fraqueza? Até à adolescência tinha muita dificuldade em fazê-lo. Hoje em dia não tenho. Quando erro, assumo. Quando tenho de pedir desculpa, peço. Só assim consigo chegar a casa e dormir descansada. Não há nada pior do que acabar o dia com um assunto de consciência por resolver.

Respeito muito as pessoas que o fazem e acredito que estas minhas atitudes podem ter o mesmo efeito. Portanto, deixe-se de coisas, de certeza que também erra, também falha.

Afinal, somos humanos.