Rotina?

 

Por Dina Isabel

Locutora e Diretora da Rádio Sim

 

ROTINA OU NÃO? Num primeiro impulso a maioria das pessoas responderá: não. Que horror, os mesmos horários, os mesmos gestos, os mesmos percursos.

Todos nós temos o estereótipo de que ser feliz é ser livre, mas o que é isso de ser livre? Ser livre é poder escolher, e eu posso optar pelas rotinas.

Vem esta conversa a propósito de uma outra que ouvi há dias: uma pessoa, no caso um jornalista, não tinha horário atribuído mas tarefas a cumprir. Uns anos depois decidiu mudar de atividade, pelo menos por uns tempos. Motivo: sentiu necessidade de voltar a ter rotinas.

Os pais sabem bem que as rotinas são importantes durante os primeiros anos dos filhos: ajudam à organização mental, dão segurança e são fundamentais na formação da personalidade. O complicado é quando, depois de crescidos, ficamos de tal modo presos que não nos permitimos deixar surpreender. O complicado é quando não somos nós que controlamos a rotina, mas vice-versa.

Depois há que não confundir o seguinte: podemos ter um horário mas não ter uma rotina. Na rádio isso acontece-nos todos os dias. Dentro do nosso horário acontecem todos os dias coisas diferentes. Sou muito feliz com isso.

Mas há uma série de rotinas que prezo muito: levantar-me sempre quinze minutos mais cedo para comprar pão do dia, beber café antes mesmo do pequeno-almoço, adormecer a ver televisão (sim, eu sei que não é o melhor dos hábitos), etc.

As pessoas não são iguais e são felizes de modos diferentes. É claro que temos tendência a valorizar uma pessoa que vive fora das amarras da rotina, um «rebelde», alguém que «sabe viver». Mas pensemos, com calma, o que seria da vida de todos nós se não fossem as rotinas, as nossas pequenas rotinas e as rotinas que nos permitem viver num mundo organizado?

É isto!