Selina Juul vence prémio Europeu do Ano 2020 do Reader’s Digest

 

O vencedor do 25.º Prémio Europeu do Ano para os Editores do Reader’s Digest: (Em Portugal com a chancela Selecções) é a ativista dinamarquesa fundadora do movimento «Parar o Desperdício Alimentar».

 

Todos os anos, os editores do Reader’s Digest fazem uma curta lista de europeus que desempenharam um papel determinante numa questão contemporânea premente e, com isso, transformaram o mundo num lugar melhor. Lançado em 1996, o vencedor do Prémio Europeu do Ano 2020 é a ativista dinamarquesa contra o desperdício alimentar Selina Juul, de 39 anos, fundadora do movimento Stop Spild Af Mad (Parar o Desperdício Alimentar). Selina recebeu o prémio numa cerimónia privada no Babette Guldsmeden Hotel, em Copenhaga, na passada terça-feira, dia 21 de janeiro.

O galardão reconhece o trabalho de Selina Juul na liderança de um movimento bem-sucedido e empenhado em eliminar o desperdício de alimentos. Selina explica que «as pessoas gastam o dinheiro e gastam recursos. Quase mil milhões de pessoas neste planeta passam fome, mas, em simultâneo, entre a comida perdida e a comida desperdiçada, conseguia-se alimentar dois mil milhões.»

Selina Juul nasceu na antiga União Soviética. Na sua infância em Moscovo conheceu, em primeira mão, a experiência da escassez de alimentos e recorda: «Mais do que uma vez a minha avó, que tomava conta da casa, voltava do supermercado de mãos vazias. Fazia tudo o que podia para os alimentos durarem, para que conseguíssemos ter sempre comida na mesa.»

Aos 13 anos, Selina mudou-se para Copenhaga com a mãe (após o divórcio dos pais) e ficou impressionada com a forma displicente como os seus colegas de escola dinamarqueses tinham a comida por garantida, deitando fora o conteúdo das lancheiras e indo comer ao McDonald’s. Também a revoltava ver, ao trabalhar como estagiária numa padaria, o pão que não era vendido no dia, ser deitado ao lixo.

Enquanto estudava design gráfico e, mais tarde, enquanto geria a sua própria empresa de design, as preocupações de Selina permaneceram adormecidas até ter visto Uma Verdade Inconveniente, o documentário do antigo vice-presidente dos Estados Unidos, Al Gore, sobre as alterações climáticas. A inspiração que lhe mudou a vida chegou de repente, durante umas férias na Croácia, em 2008: porque é que ninguém contrariava o desperdício alimentar, quando a produção de alimentos era o terceiro maior produtor de dióxido de carbono do mundo?

Selina Juul, como relata o artigo publicado na edição de fevereiro das Selecções do Reader’s Digest, lidera desde então uma campanha que tem surtido grandes efeitos e que tem vindo a ajudar a Dinamarca a reduzir o desperdício. De acordo com o Conselho da Agricultura e Alimentação da Dinamarca, esse decréscimo foi de 25 por cento em cinco anos.

A ativista trabalha com as Nações Unidas e a União Europeia, fazendo discursos e conquistando apoiantes por toda a Europa. Recentemente, participou numa conferência sobre o desperdício alimentar no Vaticano e publicou o livro Mad Med Respekt (Comida com Respeito) com a participação de Sua Alteza Real, a Princesa Marie da Dinamarca.

Depois de uma reunião com Selina, Anders Jensen, diretor de compras e de marketing da maior cadeia de supermercados com desconto da Dinamarca, a REMA 1000, deixou de fazer campanhas ao estilo «leve três e pague dois», porque isso encoraja o desperdício alimentar. Segundo ele: «Ninguém falava do desperdício alimentar na Dinamarca antes da chegada de Selina. Ela lutou com todas as forças e as pessoas começaram a ouvir. O mérito é todo dela.»

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A revista Selecções do Reader’s Digest é publicada na Europa em 11 edições e nove idiomas. A edição de fevereiro contém um extenso artigo sobre Selina Juul. 

Para mais informações contacte: 21 381 00 09 

 

Nota sobre o Prémio Europeu do Ano das Seleções do Reader Digest

Desde que este prémio único foi lançado há 25 anos, a revista tem homenageado pessoas sem perfil de celebridade, que se dedicaram ao ativismo em temas como a corrupção, violações, tortura, tráfico humano, VIH/SIDA e direitos das mulheres.

 

Os vencedores anteriores são:

2019: Óscar Camps – Salvou inúmeras vidas ao resgatar migrantes do Mar Mediterrâneo 

2018: Dr. Edit Schlaffer – Ajudou as mães a aumentar a resistência dos seus filhos aos extremismos 

2017: Boyan Slat – Desenvolveu tecnologia para limpar os detritos de plástico nos oceanos.

 2016: Laura Kövesi – Ativista anticorrupção na Roménia

2015: Felix Finkbeiner – Adolescente que motiva as pessoas a plantarem milhões de árvores em todo o planeta

2014: Thomas Minder – Liderou os esforço pioneiros da Suíça no controlo dos excessos das empresas

2013: Agnieszka Romanzewska-Guzy – Fundou a Belsat TV que promove a Liberdade de imprensa na Bielorrússia

2012: Isabel Jonet – Ativista do Banco Alimentar

2011: Monika Hauser – Ativista na causa das violações na guerra

2010: Iana Matei – Combatente do tráfico humano

2009: Joachim Franz – Ciclista contra o VIH/SIDA

2008: Maria Nowak – Apoios em microcrédito para ajudar os mais pobres

2007: Dr. Ruedi Lüthy – Clínicas para ajuda de vítimas de SIDA no Zimbabwe

2006: Ayaan Hirsi Ali – Defensora dos direitos humanos das mulheres muçulmanos

2005: Leonid Roshal – Médica no local do massacre de Beslan

2004: Peter Eigen – Fundador da Transparência Internacional

2003: Simon Pánek – Fundador do «People in Need»

2002: Eva Joly – Política e juíza no caso ELF-Aquitânia

2001: Linus Benedict Torvalds – inventor do Linux

2000: Paul van Buitenen –Denunciante da fraude no EC

1999: Dr. Inge Genefke – Reabilitação para vítimas de tortura

1998: Pete Goss – Navegador a solo salva competidor de afogamento

1997: Frederic Hauge – Ativista contra os detritos nucleares.

1996: Padre Imre Kozma – trabalha com os sem abrigo e idosos