Sono - a arma secreta do corpo

 

Gastamos cerca de um terço da vida – em média, 24 anos — a dormir ou a tentar dormir. Uma atividade que consome tanto tempo é forçosamente importante:

É essencial dormir um número de horas suficiente, sobretudo para a saúde do sistema imunitário.

 

Aristóteles, filósofo grego, acreditava que o estômago libertava vapores quentes para induzir o sono. Os antropólogos modernos defendem que os nossos antepassados sobreviveram porque os predadores noturnos não os podiam encontrar no silêncio do sono. Atualmente, há provas de que o sono é induzido por transformações químicas em todo o organismo, embora este mecanismo de regeneração permaneça tão misterioso como no passado.

Uma coisa é certa. Não podemos viver sem dormir! Numa das primeiras experiências sobre o sono, mantiveram-se ratos acordados durante duas semanas: perderam peso, apesar de comerem mais, e a temperatura do corpo sofreu grandes oscilações. Após mais duas semanas sem dormir, todos os animais morreram. As análises ao sangue revelaram que a causa de morte fora uma infecção generalizada causada por bactérias vulgares, habitualmente eliminadas pelo sistema imunitário, mas que se multiplicaram rapidamente e infectaram todos os órgãos. A privação de sono durante dias consecutivos causara o colapso do sistema imunitário dos animais. A insónia familiar fatal, doença genética rara, é um exemplo extremo dos perigos da privação de sono nos seres humanos; as vítimas começam por ter dificuldade em adormecer e, com o passar do tempo, deixam de conseguir dormir, acabando por morrer nos três anos seguintes. Dormir pouco não chega a ser uma ameaça, mas enfraquece o sistema imunitário. Se uma pessoa saudável, mesmo jovem, dormir apenas três ou quatro horas por noite, tem um menor grau de eficácia a lidar com o stress, metabolizar os hidratos de carbono, manter o equilíbrio hormonal e lutar contra as infecções.

Cérebro esgotado. O sono não é vital apenas para o bom funcionamento do sistema imunitário; parece ser também essencial para o cérebro, que o aproveita para armazenar informação e fazer «manutenção» numa altura em que não é obrigado a processar mensagens de ou para o mundo exterior. Isso explica porque dormir 2 a 3 horas a menos por noite durante uma semana afeta gravemente o humor, a memória e a capacidade de raciocínio.

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De quantas horas precisamos? Embora oito horas de sono por noite nos pareçam o ideal, as necessidades individuais variam. Cada um tem os seus genes «horários», que influenciam os ciclos de sono/vigília. A maior parte das pessoas está programada para adormecer pelas 22 e acordar às 6 horas; outras, para se deitarem às 21 horas e despertarem às 4; outras ainda, para se deitarem às 3 e acordarem às 11 horas. Mais importante do que «quando» dormimos é «quanto»: o número de horas ideal é o que nos permite sentir despertos durante as 16 horas seguintes. Porém, como o sono não é uma prioridade no nosso mundo acelerado (alguns orgulham-se mesmo de apenas precisarem de 

algumas horas de sono por noite), muitos são os que nunca se sentem completamente repousados. Para descobrir esta sensação, experimente deitar-se oito horas antes da hora de levantar. Se quando se levantar se sentir repousado e essa sensação durar todo o dia, é porque o número de horas foi suficiente; caso contrário, vá acrescentando diariamente 15 minutos ao seu tempo de sono durante uma semana. Verá que passa a acordar naturalmente quando chega a hora.

 

Quando dormimos pouco

É provável que tenha «sonos em atraso» se:

- Sentir sonolência durante o dia. Dormitar durante uma reunião aborrecida é um indicador de sono insuficiente. 

- Dormir algumas horas a mais nas manhãs dos fins de semana é outro indício de défice de sono.

- Adormecer cinco minutos depois de se deitar. É provável que necessite de mais uma hora de sono por noite.

 

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Excerto retirado de "REFORCE AS SUAS DEFESAS"