"Ter sabedoria é melhor que ser jovem"

 

Brad Pitt, estrela de Hollywood, fala da sua relação com a religião e a serenidade na velhice.

Rüdiger Sturm

 

Falar com Brad Pitt é quase um cerimonial de Estado. É preciso passar por longos processos de aprovação. Quem conseguir marcar um encontro é acompanhado por Cole, o assistente que garante que as fotos do momento são tiradas com um smartphone, como uma foto secreta! O ator de 55 anos, que foi visto pela última vez no filme de Quentin Tarantino, Era Uma Vez em Hollywood, está relaxado e responde a todas as perguntas.

 

Selecções do Reader’s Digest: É considerado uma das maiores estrelas de Hollywood. Como explica esse sucesso?

Brad Pitt: De longe, não sou o único ator talentoso mas, ao contrário da maioria, tive a sorte de ter a minha oportunidade. E eu aproveitei essa oportunidade com muita determinação.

 

Foi um percurso calculado?

Os Óscares e afins nunca foram relevantes para mim. Não podemos concentrar-nos nisso porque negligenciamos o que é realmente importante: um bom trabalho. Em particular porque esses prémios também são uma questão de sorte. Às vezes ganhamos e isso é um prazer, e outras não. Também fico feliz quando amigos meus ganham.

 

Já passou dos 50 anos. Envelhecer mudou o modo como vê a vida e a si mesmo?

De facto. Porque me tornei míope – há anos que preciso de óculos (risos). Mas, falando a sério, acabei de perceber que queria deixar um legado aos meus filhos, na forma de filmes memoráveis. E eu gosto de envelhecer. Ter sabedoria é melhor do que ser jovem.

 

Nasceu numa família muito conservadora. Foi difícil fugir disso e seguir o seu caminho?

Sim, a minha família é extremamente cristã. Eu tive problemas com isso, durante a minha juventude questionei várias vezes a fé. Não fazia qualquer sentido para mim. E só consegui resolver esse plano da minha vida quando cheguei aos 20 anos. No entanto, admito: também me assustou quando de repente eu não tinha fé para explicar o mundo.

 

Os seus pais apoiaram-no?

Eles concordaram com os meus planos e aceitaram-me como sou, mesmo que estejam preocupados com a minha salvação.

 

O que o preocupa hoje em dia?

O grande problema para todos nós é a morte. Preocupa-me que os meus filhos estejam bem. Essas são as principais prioridades para mim, ao passo que antes estava mais preocupado com o meu bem-estar. Percebo que a vida é efémera. E é por isso que estou a tentar deixar o tipo de filme que pode mudar algo.

 

Tem respostas para as grandes perguntas depois de ter deixado o caminho da fé?

A religião pretende tranquilizar-nos dando-nos explicações. Mas talvez possamos encontrar a nossa paz de outra maneira: simplesmente aceitando que existem grandes mistérios por aí.