"Tinha de o tirar dali"

 

Andy Simmons

 

O som que acordou Damian Languell às 08h15 foi tão alto que presumiu que vinha de dentro de casa, em Wade, no Maine.

Quando se levantou para ver o que era, ouviu outro som que, sem dúvida, vinha do exterior. Espreitou pela janela do quarto e avistou uma árvore envolta em fumo a cerca de 450 metros. Havia um carro junto ao tronco da árvore e tinha o mo­tor em chamas. «Peguei em baldes de água», contou Damian ao site thecounty.me. Depois, ele e a na­morada correram para o local do acidente. De perto, ainda parecia pior. O carro, um Buick Regal, estava quase partido ao meio e a árvore no local onde devia estar o banco do condutor, como se tivesse sido ali plantada. Ninguém conseguiria sobreviver a um acidente daqueles, mas no entanto ali estava Quintin Thompson, de 16 anos, com o rosto aterrorizado pressionado contra a janela do condutor, num sofrimento visível. Damian, de 35 anos, tentou apagar o fogo com baldes de água, sem sucesso. «Quando as chamas chegaram aos bancos da frente, percebi que tinha de o tirar dali», contou à WAGM-TV.

Num gesto que a polícia descre­veu como «de completo desrespeito pela segurança própria», Damian abriu a porta de trás do Buick e entrou.

Quintin lutava para se libertar, recorda Damian. «Foi quando me apercebi o quanto as suas pernas estavam mal tratadas.»

Usando um canivete suíço que tinha trazido por precaução, cortou o cinto de segurança de Quintin e, com ele livre, puxou-o para fora «an­tes que o carro fosse engolido pelas chamas», como relata o relatório policial.

Embora Quintin Thompson te­nha sofrido múltiplas fraturas nas pernas, na coluna e no crânio, uma publicação nas redes sociais descre­veu-o como «parecendo ótimo, sor­ridente e a fazer piadas».

Damian pensa muitas vezes nesse dia.

Dando mostras de toda a empatia que o impeliu a agir, contou à WAG­M-TV: «O meu coração está com ele [Quintin]. Quando se está tão perto de semelhante nível de sofrimento, uma pessoa acaba por o sentir dire­tamente.»