Toda a verdade sobre o Álcool

 

A realidade sobre os riscos de beber

 

SAMANTHA RIDEOUT

 

JÁ ALGUMA VEZ reparou que, de acordo com algumas notícias, o álcool prolonga a vida e, segundo outras, irá enviá-lo mais cedo para o túmulo? Quando os relatos dos meios de comunicação sobrevalorizam as descobertas de um qualquer estudo recente, é fácil ficar baralhado. Aqui, pelo contrário, tem a informação que precisa acerca dos efeitos do álcool.

O Bom

A relação risco-benefício do álcool depende da quantidade ingerida. Atualmente, a maioria das autoridades de saúde pública traça uma linha ténue entre beber moderadamente e em excesso em relação às duas «bebidas normais» (10 gramas de álcool puro) por dia para as mulheres e duas a quatro para os homens.

Não está sozinho se confunde hábitos excessivos com moderados. Repare, por exemplo, que o vulgar copo de vinho de 175 ml está mais próximo das duas bebidas normais do que de uma.

Há evidências de que os bebedores moderados têm um risco ligeiramente mais baixo do que os abstémios de sofrerem de diabetes e alguns incidentes cardiovasculares, incluindo acidentes isquémicos e cardíacos.

Na realidade, ninguém bebe porque faz bem à saúde. Pelo contrário, as pessoas apreciam o álcool porque o consideram relaxante, saboroso, social ou divertido. Estas características podem compensar os riscos de beber moderadamente, dependendo do que trazem à sua vida.

 

 

O Ambíguo

Não é de surpreender que, como entorpece e debilita o cérebro, a longo prazo o consumo de álcool em excesso é o principal fator de risco evitável da demência. Até agora as evidências são menos claras no que respeita ao seu consumo moderado: pode contribuir para o declínio das faculdades mentais, permitir uma ligeira proteção contra o mesmo ou nem uma coisa nem outra. O álcool também tem uma relação complexa com a depressão.

«A relação de causalidade é difícil», diz o Dr. Jurgen Rehm, chefe da equipa de investigação epidemiológica na Universidade Técnica de Dresden, na Alemanha.
«A depressão pode levar a beber. Beber pode causar depressão. E a vulnerabilidade genética pode contribuir para ambas.»

 

O Mau

O álcool está ligado a dezenas de problemas de saúde, desde dependência até doença do fígado e lesões acidentais à pancreatite. Para muitos destes problemas, quanto mais tender a beber maiores os riscos.

É assim que funciona com os cancros relacionados com o álcool. De acordo com a Dra. Marilys Corbex, do Escritório Regional para a Europa da Organização Mundial da Saúde, mesmo um hábito ligeiro aumenta as probabilidades de cancro da boca e garganta, do esófago, da laringe e da mama, que são maiores com o consumo intenso. É particularmente perigoso beber e fumar. O álcool funciona como solvente para os agentes carcinogénicos dos cigarros, criando um risco que é maior do que a soma das partes. Em relação às doenças cardiovasculares, algumas são menos comuns entre consumidores moderados, mas outras – incluindo fibrilação atrial e trombose hemorrágica – revelam um padrão oposto. Ou seja, beber muito é mau para o sistema cardiovascular em geral.

Todos estes riscos representam, em geral, anos a menos para quem bebe em excesso. Uma meta-análise de 2018 de dados de saúde de cerca de 600 mil pessoas concluiu que, quando ultrapassam as dez bebidas normais por semana, a sua esperança de vida diminui entre seis meses a cinco anos, dependendo do aumento do consumo.

O Vilão

Os riscos do álcool estendem-se para lá dos próprios consumidores. Na verdade, pelo menos 10% das mortes por lesão relacionadas com o álcool abrangem outras pessoas devido a acidentes, condução sob influência do álcool, abusos e violência.