Uma aterragem na estrada

 

«MAYDAY! MAYDAY!», gritou Frank Pisano ao microfone para a torre de controlo aéreo do Aeroporto John Wayne, em junho do ano passado.

 

TAYLOR MARKARIAN

 

Um dos dois motores do seu Cessna de 1975 tinha falhado e estava agora em rota de colisão com uma das mais movimentadas autoestradas americanas, a Interestadual 405, a sul de Los Angeles – e não havia como evitá-lo.

Na 405 em direção a sul, perto da pista do aeroporto, estava John Meffert. Comandante de um quartel de bombeiros, John, de 47 anos, estava a dirigir-se a casa no fim de um turno e, naquela manhã de sexta-feira, não pensava em mais nada senão no feriado do 4 de julho que se aproximava. Nessa altura, um avião a baixa altitude captou-lhe a atenção. Depois de olhar um segundo, um pensamento cruzou-lhe o espírito: «Aquele avião vem direito a mim!». Tinha razão. O avião embateu no separador central, saltou alguns metros e depois atravessou-se à frente do carro de John. Por fim parou ao atingir o separador do lado sul da estrada. John Meffert encostou o carro. Não tinha ferimentos nenhuns e o carro tinha apenas uma mossa e uma grande arranhadela na pintura, por isso dedicou a sua atenção ao avião. Correu na direção do fumo que saía – e foi quando viu a mulher de Frank, Janan Pisano, erguer a cabeça do lado do passageiro.

Quando John conseguiu chegar ao avião, parte da fuselagem ardia, e Janan, coberta de sangue, estava na asa a tentar retirar o marido dos destroços. John, com medo que o avião explodisse, conduziu-a até um local mais seguro. Nesta altura, o trânsito tinha começado a parar e duas enfermeiras saíram dos carros para ajudar a afastar Janan ainda mais do local, enquanto John correu de volta ao avião para tentar salvar o piloto. Com o impacto, Frank tinha desmaiado, mas estava agora consciente e deitado ocupando os dois assentos.

«Vou tirá-lo daí», disse John, enquanto se posicionava sob os braços do piloto e, cuidadosamente, o levantava e retirava do cockpit. Mas John tinha de se apressar a sair dali. Arrastou o piloto pela asa e levou-o para a segurança da berma da estrada, de onde ambos observaram as chamas a devorar o avião. O casal Pisano passou três semanas no hospital, com Frank a recuperar de seis costelas partidas e Janan de cinco. Por sorte, o carro de John foi o único a ser atingido pelo avião. Se John circulasse um ou dois segundos mais depressa, o propulsor da esquerda ter-lhe-ia arrancado a parte de cima do carro e tê-lo-ia matado.

«Conheço todos os “ses” – se fosse mais depressa, ou mais devagar. Tudo podia ter um desfecho bem pior», admite John. «Simplesmente tivemos muitos anjos da guarda.»